A Feira da Agricultura Familiar chega à 32ª Fenadoce 25% maior. Nesta edição, o espaço dedicado aos pequenos produtores teve ampliação de sua estrutura, possibilitando um crescimento de 29% no número de expositores. Serão 89 empreendimentos de 43 municípios gaúchos apresentando produtos coloniais, artesanato, flores e agroindustrializados durante a feira, que ocorre de 15 de julho a 2 de agosto, em Pelotas. A expectativa é ultrapassar os R$ 2,2 milhões registrados na edição passada.
O aumento atende a uma demanda antiga dos agricultores familiares, que a cada ano disputam vagas para participar de um dos principais eventos de divulgação e comercialização da produção rural do Estado. Neste ano, mais de 120 empreendimentos se inscreveram para participar da seleção. Segundo o extensionista rural da Emater, Renato Cougo dos Santos, a ampliação foi possível graças à parceria entre a organização da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Emater, permitindo que mais produtores tivessem acesso ao espaço.
“Conseguimos ampliar em mais de 25% o espaço total para as bancas. Isso possibilitou aumentar de 69 para 89 empreendimentos participantes, contemplando uma demanda que vinha crescendo a cada edição”, destaca. Uma delas é a Márcia Eliane Macedo Vargas, 52, do Capão do Leão, que vai estrear na Feira com seus pães artesanais, doces e conservas.
Demanda
De acordo com Cougo, o número de agroindústrias familiares formalizadas no Rio Grande do Sul também aumentou significativamente nos últimos anos. Atualmente, o Estado conta com mais de duas mil agroindústrias acompanhadas pela Emater, o que amplia a procura por feiras de comercialização como a Fenadoce. “A cada ano aumenta o número de inscrições. Neste ano tivemos mais de 120 interessados. Esse crescimento demonstra a importância da Fenadoce como espaço de negócios e valorização da agricultura familiar”, afirma.
Mais municípios e novos expositores
Além do aumento no número de participantes, a feira amplia sua representatividade regional. Serão empreendimentos de 43 municípios gaúchos, levando ao público uma diversidade de produtos que inclui doces coloniais, pães, cucas, queijos, embutidos, mel, conservas, panificados, geleias, artesanato, flores e mudas.
Além da comercialização, a feira evidencia um perfil cada vez mais jovem e feminino da agricultura familiar. Dos 89 empreendimentos participantes, 40 são liderados por mulheres e 55 contam com a atuação direta de jovens, demonstrando que a agroindustrialização tem contribuído para a sucessão familiar e para a permanência das novas gerações no campo. Segundo Cougo, essa realidade surge da formalização das agroindústrias, que têm transformado uma atividade tradicional das famílias rurais em fonte consistente de renda. “Não estamos criando uma atividade nova. Estamos reconhecendo um saber que sempre existiu nas propriedades, como transformar leite em queijo ou frutas em doces, oferecendo assistência técnica para que isso aconteça dentro da legislação.”
Outro avanço destacado pelo extensionista é a ampliação dos mercados para produtos de origem animal por meio do Consórcio Público dos Municípios da Zona Sul (COPS), que permite a comercialização entre municípios consorciados, ampliando as oportunidades de venda para pequenos produtores. “A Emater presta orientação em todas as etapas do processo de legalização das agroindústrias, incluindo adequação sanitária, ambiental, tributária e acesso ao crédito rural”, explica o que se torna vantajoso na participação do Consórcio.
Pão de torresmo
A estreia de Márcia Vargas na Feira da Agricultura Familiar da Fenadoce, com a Agroindústria Campeiro, chega com grande expectativa. Filha de uma família ligada à produção de doces artesanais, ela começou vendendo pães de porta em porta e, incentivada por cursos da Emater e do Sindicato Rural, ampliou a produção ao lado da filha, legalizando a agroindústria familiar. Atualmente participa da feira semanal de Capão do Leão e fornece produtos para a merenda escolar.
Na primeira participação na Fenadoce, Márcia demonstra entusiasmo e expectativa positiva. “Vamos levar pães artesanais, incluindo o tradicional pão com torresmo e o pão asmo, além de doces em conserva, como ambrosia, figo e doce de abóbora com coco, e conservas de beterraba e molho de tomate”, cita. Segundo ela, o convite para expor na Fenadoce é o reconhecimento de anos de dedicação e uma oportunidade para apresentar seus produtos a um público maior.
