Rivalidade entre farmacêuticas produzia medicamentos reconhecidos até no exterior

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Rivalidade entre farmacêuticas produzia medicamentos reconhecidos até no exterior

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Há 100 anos

O Dicionário de História de Pelotas destaca que a cidade foi um importante centro farmacêutico no final do século 19 e início do 20. A importância desses medicamentos era tamanha que movimentava a economia local, especialmente com um forte aporte financeiro em revistas da elite local, como a Ilustração Pelotense, em jornais e almanaques. Em 1926, por exemplo, na imprensa local as empresas publicavam narrativas e supostos depoimentos sobre os milagres promovidos por seus produtos. Destas empresas se destacaram as farmacêuticas Souza Soares e Siqueira, que produziram medicamentos reconhecidos e premiados até fora do país.

A primeira farmácia foi fundada no ano de 1849 e se chamava Caridade, por ficar localizada ao lado da Santa Casa de Misericórdia. A partir daí surgiram a Romano (1860) e a drogaria de Eduardo C. Sequeira (1870). Esta última foi a responsável pela fabricação do tradicional Pó Pelotense e do xarope Peitoral Angico Pelotense, conhecidos até fora do país.

Foi também no final do século 18 que surgiu a farmácia homeopática do Visconde José Álvares de Souza Soares, na rua Imperador (hoje Félix da Cunha), 115. O protuguês Souza Soares inventou o Peitoral Homeopático de Cambará, considerado na época o melhor remédio para tosse, bronquite, laringite, coqueluche e asma. A partir daí outros estabelecimentos começaram a surgir e marcaram época em Pelotas. Dentre eles se destacaram as farmácias Kastrup, Bojunga, Popular, Confiança, Salengue, Gurvitz, Arruda, Torres, Galenogal e Cortelari.

(Foto: Reprodução)

O remédio Peitoral Angico Pelotense era usado para combater a tosse no século passado. Fabricado em Pelotas na drogaria e farmácia de Eduardo C. Sequeira, tinha sua produção exportada e chegou a atingir cerca de 30 mil vidros anualmente. A farmácia localizava-se na rua Andrade Neves, entre Floriano e Lobo da Costa.

Com o tempo, o Peitoral de Cambará se tornou o principal rival do Peitoral de Angico Pelotense. Criado por José Álvares de Souza Soares, o remédio utilizava uma planta regional e tornou-se mundialmente famoso pela sua eficácia. O laboratório Souza Soares, localizado no bairro Fragata, recebeu reconhecimento internacional, sendo premiado pela Academia Nacional de Paris em 1881.

Voltou para Portugal

Depois de fundar a Farmácia Homeopathica Rio-Grandense, mais tarde conhecida também como Fábrica do Peitoral de Cambará, ele inaugurou em 2 de fevereiro de 1883 o Parque Pelotense, mais tarde chamado de Parque Souza Soares, com uma área total de 300 mil metros quadrados (60 hectares), onde hoje é o Fragata.

Em 1901, Souza Soares fundou no Porto, em Portugal, um laboratório nos mesmos moldes do que tinha construído em Pelotas. Souza Soares morreu em 7 de julho de 1911.

Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense;Dicionário de História de Pelotas, organizado pelos historiadores Beatriz Loner, Lorena Gil e Mario Magalhães

Há 50 anos

Escritora Maria do Carmo Haertel Sobral assina com editora de Porto Alegre

Pelotense lançou a obra na 23ª Feira do Livro de Porto Alegre (Foto: Reprodução)

A editora Bells, de Porto Alegre, divulgou em 3 de julho de 1976, que publicaria pela primeira vez um livro da escritora pelotense Maria do Carmo Haertel Sobral. Na época, a autora estava preparando um livro intitulado Envelope amarelo. A obra foi lançada em 8 de novembro daquele ano, durante a 23ª Feira do Livro de Porto Alegre, na praça da Alfândega.

Maria do Carmo era uma conhecida contista e cronista na Zona Sul do Estado com publicações em jornais da região e da capital. Após o lançamento na capital, a obra seria autografada em Pelotas.

Professora de Música

Envelope amarelo compilou 60 crônicas da pelotense. O título nomeava um dos textos escolhidos para a publicação, nele a autora se inspirou em uma mensagem de boas festas que ela recebeu enviada em um envelope amarelo.

Além de escritora, Maria do Carmo foi também maestrina do coral da Escola Dom João Braga, que foi muitas vezes premiada na década de 1960, sob a batuta da escritora.

A pelotense foi ainda professora de Música da mesma instituição de ensino. Maria do Carmo morreu em 2009 e deixou como legado obras como Estrelas do dia e Histórias da lua cheia.

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