Veja bem, o título pode parecer uma crítica ao ambiente digital, mas não é. Nem à comunicação. É aos monstros mesmo, que, como sempre, se valem das oportunidades para esticar suas garras. Por exemplo, a notícia do grupo de criminosos que, em Bagé, gravava vídeos – para comercialização – torturando animais e bebês, é a prova cabal de que vivemos em uma sociedade adoecida. Há quem vá argumentar que sempre existiram psicopatas e pessoas horríveis, mas agora há um adendo: com o advento da comunicação, tão benéfico para a sociedade, eles conseguiram aproximar-se. Assim, torturadores, estupradores, pedófilos e todos os outros tipos de pessoas más conseguem conversar entre si.
E, obviamente, é impossível travar o avanço tecnológico. Mas é possível, sim, monitorar o comportamento humano. E aí entra o papel não só dos órgãos de segurança, mas também das big techs. Embora os casos sexuais – e esse não era um deles – ganhem mais atenção, há todos os outros tipos de bizarrices criminosas que podem ser encontrados na internet com certa facilidade. Não é censura, é cibersegurança. Compreender que esse ambiente aproxima pessoas também para fins horríveis é básico para que o restante da sociedade tenha tranquilidade.
O argumento de que monitorar o ambiente digital é controle e censura é contraprodutivo. Normalmente, ganha força diante de avanços. Mas é simples e a própria Lei Felca veio como um desses braços para reforçar que o limite de um está onde começa a de outro. O dilema da liberdade total é simplesmente falso. Ao facilitar a aproximação entre criminosos, estamos dando a eles a liberdade de cometer crimes e privando todo o resto da sociedade de viver tranquilamente e, claro, livres. Ou seja, o controle sobre potenciais crimes digitais deve sim ser reforçado.
É uma pena e lamentável que cheguemos a extremos como o visto aqui em Bagé, do ladinho de nossa região. Mas esse tipo de situação reforça, mais uma vez, que há que se dialogar muito sobre a responsabilidade das big techs e a necessidade de diálogo, monitoramento e ações efetivas para que esse tipo de gente passe o máximo tempo possível isolado da sociedade.
