Consternada, comunidade pelotense se despedia de João Simões Lopes Neto

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Consternada, comunidade pelotense se despedia de João Simões Lopes Neto

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Atualizado segunda-feira,
15 de Junho de 2026 às 11:30

Há 110 anos

Na tarde de 15 de junho de 1916, a comunidade de Pelotas se despediu comovidamente de João Simões Lopes Neto. O escritor, jornalista e empreendedor morreu no dia 14, aos 51 anos, fato que causou consternação, especialmente entre os que estiveram ao lado de Simões nos diferentes empreendimentos em que se envolveu em benefício à cidade.

Sobre o pelotense, um jornalista registrou: “Foi sempre um grande espírito, adorador confesso da imprensa, onde se distinguiu pela ligeireza do estilo e pelo amor que devotava a todas as coisas que pudessem influir no progresso da nossa terra.” Lopes Neto foi autor dos clássicos da literatura regionalista gaúcha Contos Gauchescos e Lendas do Sul.

Era redator do jornal A Opinião Pública

Simões foi sepultado às 15h, e o cortejo saiu da funerária da rua 15 de Novembro, 409. A cerimônia de despedida foi muito concorrida e a sala onde estava o corpo se manteve cheia, todo o tempo, descreveu a imprensa. Entre as figuras ilustres que compareceram ao funeral do escritor estavam o intendente (prefeito) Cypriano Barcellos, o coronel Pedro Osório, todos os colegas do jornal A Opinião Pública, representantes de grupos e sociedades civis e sociais e o presidente do Conselho Municipal, Pompeu Mascarenhas.

O ataúde foi retirado da funerária por J.G. Mendes, coronel Manoel Simões Lopes, Francisco Simões, Cássio Almeida, Augusto Simões e Arthur Meirelles. Em seguida a Mocidade do Tiro 31 o conduziu-o pela rua 15 de Novembro até a esquina da Floriano Peixoto. A partir daí grupos e amigos se revezaram nesta tarefa até a praça Cipriano Barcelos, onde o recebeu o Tiro 31, sendo conduzido o resto do percurso em carro fúnebre, acompanhado por um grande número de automóveis, dois deles repletos de coroas de flores, além de dois bondes com acadêmicos e sócios do Tiro de Pelotas.

No cemitério São Francisco de Paula, onde os restos mortais permanecem sepultados, o esquife foi retirado por Albuquerque Barros, Alvaro Eston, Sylvio Corrêa e Ildefonso Carvalho, José Luis Pinto da Silva e Gastão Rönnelt, respectivamente, diretor, redatores, gerente e repórter do jornal no qual trabalhava. Além deles, outras pessoas, como outros representantes da imprensa, participaram na condução do caixão até a catacumba número 260.

Antes do corpo ser sepultado, o médico Victor Russomano fez um discurso que emocionou os presentes. Frisou a magnitude do momento e das lutas de Simões, que colocava sua energia a serviço da terra que tanto idolatrava.

Luto nas entidades

Após a morte de João Simões Lopes Neto, a Bibliotheca Pública Pelotense hasteou a bandeira em meio mastro em sinal de luto e fechou as portas, suspendendo as aulas por três dias. As lojas maçônicas também suspenderam suas sessões e o Ginásio Pelotense, as aulas, bem como a Faculdade de Farmácia e Odontologia de Pelotas. O Centro Acadêmico Pelotense, decretou luto por oito dias e prometeu uma sessão fúnebre para o dia 14 de julho.

A agência David, fundada por David Meirelles, cunhado do escritor, colocou à disposição do jornal A Opinião Pública um mensageiro e a Agência de Mensageiros Pelotas, ofereceu o serviço à família. O Clube Carnavalesco Brilhante suspendeu as festas e uma quermesse. O 2º Cartório de Notas, onde Simões trabalhou, fechou as portas, o clube Caixeiral e a União Gaúcha mantiveram suas bandeiras no funeral.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

Há 50 anos

Chegava ao Theatro Guarany espetáculo com o comediante Costinha

Comédia mostrava os desafios da vida adulta de um homem mimado (Foto: Reprodução)

O Centro de Arte e Cultura (CAC) trouxe a Pelotas a comédia O Exorsexy, estrelada por Costinha, que dividiu a autoria do texto com Emanuel Rodrigues. No palco, o comediante tinha a companhia dos atores Maria Quitéria, Roberto Wanderley, Aparecida Pimenta e Mário Ernesto. O espetáculo foi apresentado no dia 14 de junho de 1976, no Theatro Guarany.

A estreia bem-sucedida foi em São Paulo, onde a comédia permaneceu em cartaz por seis meses consecutivos, sendo assistida por mais de 30 mil pessoas, na primeira temporada. Antes de Pelotas, o espetáculo estreou em Porto Alegre no dia 8, no extinto Teatro Leopoldina com grande público.

Na história, um jovem muito mimado pela família, vivido por Costinha, enfrentava, na vida adulta, as consequências dos cuidados exagerados, especialmente no relacionamento com as mulheres.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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