“Hoje vejo a Rua da Copa como um patrimônio cultural e um espaço aberto para todo mundo”

Abre aspas

“Hoje vejo a Rua da Copa como um patrimônio cultural e um espaço aberto para todo mundo”

Eduardo Silva - Empresário

Por

“Hoje vejo a Rua da Copa como um patrimônio cultural e um espaço aberto para todo mundo”
(Foto: Reprodução)

O que começou em uma conversa despretensiosa durante um café se transformou em um grande movimento comunitário no bairro Navegantes, em Pelotas. Com o apoio de moradores, comerciantes e voluntários, a Avenida Arthur de Souza Costa ganhou cores, bandeirinhas e símbolos da Seleção Brasileira, tornando-se a “Rua da Copa”. A iniciativa, idealizada por moradores apaixonados pelo futebol, mobiliza a comunidade e busca transformar o local em um ponto de encontro para torcedores durante o Mundial, unindo esporte, solidariedade e sentimento de pertencimento.

Como é que surgiu essa iniciativa, se é tua, se tem outros parceiros, e a tua paixão pela Copa?
Surgiu num cafezinho. O Josimar, que já trabalhava junto comigo no ramo da construção, ele na pintura e eu na elétrica, foi no meu comércio, tomou um cafezinho, comprou uns pãozinhos e me contou que estava com essa ideia. Só que ele estava com dificuldades de viabilidade para fazer numa escola, não conseguia parceiros ou acesso. Eu disse: “Se tu quer, eu faço acontecer”. Como tenho um leque bom de amizades em Pelotas nesses 13 anos de empresa, fiz alguns disparos pelo telefone e, em 5 minutos, a mágica aconteceu. Conseguimos o apoio da Shawana (especialista em tintas), das lojas Quero-Quero e da Coral Tintas, que abriram as portas para pintarmos a rua.

As imagens mostram que as casas e os comércios também entraram no clima. O pessoal foi voluntário também nesse momento?
Sim, os próprios moradores estão comprando bandeirinhas, pintando as casas e a rua em si está muito temática e bonita, esperando o pessoal ir para lá curtir esse momento.

E o que tu achas desse envolvimento, não só da comunidade, mas do brasileiro como um todo nessa questão da Copa? Realmente traz um sentimento de pertencimento total da nação com os jogadores?
Nós já estamos loucos para trocar o Tetra pelo Hexa, já estamos vendo o Galvão gritar “É Hexa!”. Vai acontecer, estamos nesse momento.

Foste sempre um apaixonado por futebol ou é só a Copa que mexe com as emoções?
Estou fazendo 35 anos hoje [sexta-feira, 12]. Eu não consegui acompanhar o futebol muito cedo, não lembro do Ronaldinho Gaúcho jogando no auge dele (no Milan ou no Grêmio). Há pouco tempo assisti ao documentário dele na Netflix e me arrepiava, chegava a encher os olhos de lágrima porque o cara era mágico. Eu não vi isso na época, passei a acompanhar um pouco mais tarde, mas hoje viver isso na comunidade é mágico. Ver as crianças indo lá pintar, desenhar, botar a mão e ver que são elas que estão fazendo é fantástico.

Tu falaste da escola no início. Como é o envolvimento das crianças nessa iniciativa? Todo mundo já foi sabendo da novidade ou foi interagindo aos poucos?
Tem o colégio Hipólito Leite ali perto, onde eu inclusive estudei. Como fica a duas ruas de distância, a nossa avenida é o caminho das crianças para ir à escola. O pessoal passa ali, olha, tira foto, aponta para a pintura da taça… Elas abraçaram a causa e estão junto com a gente.

Tudo começou no último sábado (6), mas desde quando vocês estão se preparando? A rua já está pronta para quinta-feira ou ainda faltam os últimos detalhes?
A próxima etapa envolve a minha área, que é a parte elétrica. Convoquei hoje nos grupos de WhatsApp o pessoal da elétrica que consegue subir escada e tem essa ciência técnica (já que é perigoso e precisa de cinto de segurança e capacete). Eles vão voluntariamente colocar a iluminação que falta nos desenhos e nas artes, e pendurar as bandeirinhas que recebemos de doação. Essa é a parte final, porque a rua já está linda e bem colorida.

A rua vai ser fechada só nos jogos do Brasil ou vocês têm um esquema para a Copa inteira? Qual é o intuito de vocês?
Sendo bem sincero, 99,9% da população abraçou a causa. Como comerciante ali, sei que o movimento é afetado e não agrada 100%, mas nós precisaríamos dessa rua fechada 100% durante o evento da Copa. Pintores perderam noites até as 3 horas da manhã se doando para Pelotas. Hoje vejo a Rua da Copa como um patrimônio cultural e um espaço aberto para todo mundo ir lá tirar foto e aproveitar. Fica aqui o meu apelo para que olhem com carinho e o trânsito feche a rua por esses 26 ou 28 dias em que o Brasil vai estar na disputa.

Falando em comércio, como é que o comércio ali do bairro Navegantes está se preparando para esses dias intensos?
As ferragens estão doando pigmentos de tinta e fita crepe, que parecem coisas pequenas, mas são o que precisamos. O Açougue do Paulo nos doou carne para fazer um churrasco para os pintores voluntários que doaram seu sábado e domingo. E eu mesmo me dispus a fazer um baita café para o pessoal, já que tenho uma padaria ali. É um grãozinho de bem pequenininho, mas é para a comunidade e faz diferença.

E para quem quiser ajudá-los ou acompanhá-los, como podem fazer?
Nós temos o Instagram do meu comércio, que é o @bbccontaineroficial, e também criamos o Instagram oficial do projeto, o @ruadacopapelotas.

Aproveitando, como estamos no frio, a BBC Container vai lançar uma ação: o pessoal que for lá assistir aos jogos e entregar agasalhos e roupas para doação vai ganhar um incentivo, uma premiação, como uma pizza. É uma forma de ajudar e incentivar o pessoal a abraçar a causa social junto com a gente.

Acompanhe
nossas
redes sociais