“A finalidade da filosofia é tornar o estranho familiar e o familiar estranho”

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“A finalidade da filosofia é tornar o estranho familiar e o familiar estranho”

Pedro Moacyr Pérez da Silveira - Professor e filósofo

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Atualizado sexta-feira,
05 de Junho de 2026 às 10:31

“A finalidade da filosofia é tornar o estranho familiar e o familiar estranho”
Professor promove workshop com o tema Ideologia e Mentalidades neste sábado (Foto: Reprodução)

Após se aposentar das salas de aula tradicionais, o professor e escritor Pedro Moacyr Pérez da Silveira encontrou no universo digital uma forma de continuar sua missão como educador. Criador do projeto Sapere Aude- expressão latina que significa “ouse saber” e que foi eternizada pelo filósofo Immanuel Kant, o docente promove neste sábado, das 14h às 16h, o seu primeiro workshop híbrido com o tema Ideologia e Mentalidades. O evento presencial ocorre no rooftop da Livraria Vanguarda, Edifício Vanguarda, 12º andar, no Parque Una, com transmissão ao vivo pelo canal Sapere Aude Filosofia, no YouTube. Os ingressos estão à venda pelo site Sympla.

Como surgiu o projeto Sapere Aude e qual a proposta do workshop deste sábado?
O projeto nasceu após a minha aposentadoria, no ano passado, quando decidi criar um canal virtual para continuar com a educação, um âmbito ao qual eu não estava habituado. O canal já conta com entrevistas, podcasts e e-books, e agora parte para a fase de workshops. A expressão Sapere Aude vem do latim, significa “ouse saber” e foi popularizada por Immanuel Kant em seu texto sobre o Iluminismo. No sábado, debateremos Ideologia e Mentalidades, procurando clarificar os dois conceitos. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla por R$30,00, mas também podem ser adquiridos na hora, no local do evento.

Qual perfil de público costuma acompanhar as suas produções?
O miolo dos meus contatos é formado por quem aprecia filosofia e muitos ex-alunos com curiosidade sobre o tema, que buscam tirar dúvidas de maneira desvinculada da academia estrito senso. Além disso, temos atraído um público interessado nas entrevistas do nosso podcast. Já conversamos com professores das ciências sociais de Pelotas e com grandes referências nacionais e internacionais do pensamento, como a professora Marilena Chaui e o professor Renato Janine Ribeiro.

O senhor mencionou a transição para o meio digital. Como tem sido esse processo?
Muito divertido, mas eu não manejo isso sozinho. Não saberia nem por onde iniciar. Tenho o suporte de uma assessora de marketing digital, a Helena Freta, que edita os vídeos, põe legendas e faz os ajustes técnicos. É uma parceria essencial para o funcionamento do canal.

No cenário atual, o termo “ideologia” é muito associado à política partidária e à polarização. O conceito vai além disso?
É muito maior. A palavra ingressou no dicionário filosófico com um pensador liberal francês no século 18, mas ganha relevância profunda com a obra de Karl Marx. Ele traz o sentido da ideologia como uma representação mental que dita não apenas sobre o que pensar ou fazer, mas como pensar, agir e sentir. Há uma retirada da autonomia do indivíduo por meio de influências potentes que buscam certas finalidades. As ideologias não são ingênuas, têm uma racionalidade, como vemos no liberalismo ou no socialismo.

E quanto às “mentalidades”, como elas se diferenciam das ideologias?
É um conceito que ganhou força mais recentemente com a Escola dos Annales, na França. Trata-se de condicionamentos que padronizam nosso agir e sentir diante de fenômenos cotidianos ou culturais, como a nossa reação perante a morte, o belo, o feio ou as festas. Não são ideologias em sentido estrito, mas estruturas de comportamento que iremos detalhar no sábado.

Para quem deseja começar a estudar filosofia hoje, qual é o ponto de partida ideal?
O início fundamental é fazer a si mesmo uma pergunta que você não sabe responder, mas que te desperta curiosidade. A finalidade da filosofia é tornar o estranho familiar e o familiar estranho, ou seja, questionar aquilo a que já estamos habituados. Para quem busca leituras, recomendo começar por autores de introdução ao pensamento filosófico. Entre os grandes clássicos, sugiro Platão antes de Aristóteles. Platão tem uma escrita mais bela e prazerosa, que “azeita” o leitor para o que vem depois, enquanto Aristóteles pode parecer um pouco mais árido para um iniciante.

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