Depois de conseguir o que parecia improvável, a arrematação do complexo da Cosulati pela OZ.Earth e o pagamento de quase R$ 50 milhões efetuado no mês passado, a pendência para que os ex-funcionários da antiga fábrica de laticínios do Capão do Leão recebam suas rescisões, algumas com mais de uma década, está em um recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em visita ao ministro Hugo Carlos Scheuermann, uma comitiva de Pelotas solicitou prioridade na avaliação do processo, que deve entrar na pauta em agosto deste ano.
O pedido de apoio institucional partiu do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação (Sticap), que procurou a Câmara de Vereadores de Pelotas para intermediar a agenda em Brasília. A comitiva foi composta pelo presidente da Câmara, Michel Promove (PP), pelo diretor Eduardo Monteiro e pelos advogados Luiz Manoel Cavalheiro e Paulo Gastal, da assessoria jurídica.
Durante a reunião com o ministro, que é relator do processo trabalhista da Cosulati, foi solicitada prioridade para inclusão do recurso em pauta, diante do impacto econômico e social para Pelotas e região. Conforme relatado pela comitiva, o magistrado informou que o julgamento deverá ocorrer em agosto.
Presidente do Sticap, Lair de Matos avalia que a definição de uma previsão para análise do recurso uma notícia positiva para os trabalhadores. “Nós consideramos uma boa notícia, porque não tinha previsão nenhuma. Agora existe uma data, mesmo que seja daqui a dois meses. Isso nos dá uma expectativa maior”, afirma.
Caso o recurso seja julgado e os valores liberados, mais de R$ 49 milhões devem começar a circular na economia regional. O montante corresponde aos recursos depositados pela empresa na Caixa Econômica Federal por determinação expressa da juíza do Trabalho, Ana Ilca Saalfeld, e está à disposição da 4ª Vara do Trabalho de Pelotas, seguindo uma exigência que constava no edital do leilão.
Expectativa
Entre os trabalhadores que aguardam o desfecho do processo está o ex-encarregado de produção e operador de máquinas Antônio Marcos Aires Silveira, 42 anos, desligado da cooperativa em 2019. Para ele, o momento é de expectativa, principalmente após a confirmação do pagamento do leilão.
“O mais difícil parecia ser encontrar um comprador e garantir o pagamento, porque era um valor muito alto. Quando a empresa pagou, a gente sentiu que estava mais perto de receber. Agora surgiu mais esse entrave, mas estamos otimistas”, relatou.
Silveira também destacou que, durante o período de crise e falência da cooperativa, os trabalhadores sentiram falta de apoio político, situação que mudou recentemente com a mobilização em torno do julgamento do recurso. “Hoje tem vereadores, deputados e prefeitos se manifestando a nosso favor. A gente acredita que talvez até o fim do ano consiga receber esse direito”, disse.
Além do pagamento das verbas rescisórias aos ex-funcionários, a expectativa é de que a retomada das atividades no complexo industrial também gere novos empregos e movimente a economia da região sul do Estado.
