O debate sobre o fim da escala 6×1 acelerou nesta semana. Na Câmara, o relator Paulo Azi (UB) deu parecer favorável à tramitação das PECs sobre o tema na CCJ, mas a votação foi adiada por pedido de vista. Ao mesmo tempo, o governo Lula (PT) enviou um projeto com urgência constitucional para reduzir a jornada legal de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial. Com isso, o assunto passou a andar em duas frentes ao mesmo tempo: Congresso e Planalto.
Essa aceleração tem uma razão política clara. O governo encontrou uma pauta fácil de comunicar, pois é uma discussão que qualquer trabalhador compreende de imediato: trabalhar menos dias, descansar mais e manter o salário. Isso dá ao Planalto uma bandeira social simples, popular e com potencial de mobilização. Ao mandar o projeto com urgência, Lula força o Congresso a se posicionar e tenta puxar o debate para um terreno em que a linguagem do trabalhador tem mais força.
A Câmara percebeu isso e não quer deixar a autoria toda com o governo. Por isso, Hugo Motta (Republicanos) sinalizou que a Casa manterá o andamento da PEC e falou em vontade política para aprovar a mudança. A disputa, portanto, é também sobre quem vai aparecer como responsável pela entrega, ainda mais na entrada do ciclo eleitoral de 2026.
O tema também pressiona o centro e a direita. Quem é favorável fala de saúde, descanso, família e qualidade de vida. Quem é contrário fala de custo, produtividade, risco para empresas e possível aumento de preços. As entidades empresariais e industriais já deixaram clara essa preocupação. Em audiência na Câmara, representantes do setor produtivo defenderam que a redução de jornada seja tratada por negociação coletiva, e não imposta de forma geral por lei ou pela Constituição. A Confederação Nacional da Indústria falou em perda econômica e aumento relevante do custo do trabalho formal.
Mas o governo e os defensores da mudança tentam desmontar a tese da inviabilidade total. Pesquisas recentes mostram apoio majoritário ao fim da 6×1. Levantamento do Datafolha apontou 71% de apoio entre os brasileiros. Outra pesquisa citada pela Agência Brasil mostrou apoio de 73% quando não há redução salarial. Há ainda sondagens indicando que ser contra a proposta pode afetar o voto. Isso muda o cálculo dos parlamentares, pois o custo de rejeitar a pauta em público começa a pesar quase tanto quanto o custo econômico de aprová-la.
Centro na mesa
O prefeito Fernando Marroni se reuniu com a nova presidente da Associação Comercial de Pelotas, Elisa Gioielli, no Palácio do Comércio. O encontro ocorreu no dia seguinte à posse da dirigente no comando da entidade. Segundo a ACP, a conversa abordou pautas ligadas ao centro da cidade. Entre elas, a possibilidade de um projeto com participação das secretarias de Urbanismo e de Segurança Pública para a revitalização de uma quadra do Centro Histórico, em caráter piloto.
A proposta está em linha com uma agenda defendida pela associação para a região central, com foco em requalificação urbana e estímulo à circulação no local. Até aqui, porém, o encontro teve caráter inicial e serviu para abrir a interlocução entre a nova direção da entidade e o Executivo municipal. A reunião sinaliza a disposição de diálogo entre o governo e a ACP em torno de ações para o centro, embora ainda sem detalhamento público sobre alcance da proposta.
O plano de Zema
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, apresentou nesta semana um plano com diretrizes para o país, em movimento de preparação para a eleição presidencial de 2026. O material, divulgado pelo partido, reúne propostas nas áreas econômica e institucional e marca a entrada mais direta de Zema no debate nacional.
Na economia, o plano reforça a linha liberal já associada ao Novo, com defesa de redução de gastos públicos, privatizações, simplificação de impostos e menos burocracia para as empresas. O documento também menciona mudanças nas relações de trabalho, com foco em maior flexibilidade e estímulo à atividade econômica. No campo político, o texto dá destaque a propostas voltadas ao funcionamento do Judiciário, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Entre os pontos citados estão limites a decisões individuais de ministros e mudanças nas regras de atuação da Corte. O conjunto indica uma estratégia que combina agenda econômica com discurso de revisão institucional no cenário nacional.