Comércio no Centro de Pelotas sente impacto da expansão da cidade

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Comércio no Centro de Pelotas sente impacto da expansão da cidade

Segundo Sindilojas e Sebrae a tendência dos Centro Comerciais e falta de pesquisa de mercado pode ocasionar o fechamento de lojas

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Comércio no Centro de Pelotas sente impacto da expansão da cidade
(Foto: Cíntia Piegas)

A diferença no comércio entre duas quadras da mesma rua no Centro de Pelotas evidencia mudanças no comportamento de consumo e no desenvolvimento urbano da cidade. Na quadra da rua Marechal Floriano entre as ruas 15 de Novembro e Andrade Neves, diversas lojas fecharam as portas e cartazes anunciam imóveis para locação. Já no trecho seguinte, a movimentação de consumidores segue intensa. Para representantes do setor, o cenário reflete transformações naturais do crescimento urbano, mas também aponta para desafios relacionados ao planejamento de negócios e à revitalização da área central.

O gestor de projetos do Sebrae em Pelotas, Álvaro Fossati, explica que a expansão de novos empreendimentos comerciais em bairros e avenidas tem alterado a dinâmica do comércio tradicional do centro. Segundo ele, o surgimento de prédios comerciais modernos, com estacionamento e melhor infraestrutura, tem atraído empresários e consumidores.

“Hoje vemos muitos estabelecimentos surgindo em regiões da Zona Norte Central, como na Dom Joaquim, e nos novos empreendimentos como Quartier e Parque Una. Esses espaços oferecem prédios mais modernos, com iluminação natural, acessibilidade e estacionamento, o que facilita a vida do consumidor”, afirma. De acordo com Fossati, a proximidade entre moradia e comércio também influencia o comportamento de compra. Com a expansão urbana e o crescimento de bairros mais afastados do centro, muitos consumidores passaram a priorizar estabelecimentos próximos de casa.

“Esses pequenos centros comerciais acabam reunindo diferentes serviços e produtos em um mesmo espaço. Assim, muitas pessoas não precisam mais se deslocar até o centro para realizar compras ou resolver questões do dia a dia”, explica. O especialista destaca ainda que a escolha do ponto comercial deve ser precedida de planejamento. Ferramentas como o Modelo de Negócio Canvas, utilizadas pelo Sebrae em consultorias, ajudam o empreendedor a definir o público-alvo, a proposta de valor do negócio e a localização adequada antes da abertura da empresa.

“Primeiro é preciso entender quem é o público que se quer atender. Uma loja que vende produtos populares e de grande volume precisa estar em locais com grande fluxo de pessoas. Já um negócio voltado a um público específico pode exigir outro tipo de ambiente e localização”, observa. Após essa etapa, o plano de negócios permite avaliar aspectos financeiros e realizar pesquisas de mercado para verificar se o local escolhido possui o público desejado. “Muitos empreendedores cometem o erro de escolher primeiro o ponto comercial e depois pensar no negócio. O ideal é fazer o caminho inverso”, ressalta Fossati.

Grandes centros

Para o presidente do Sindilojas Pelotas, Renzo Antonioli, o fechamento de lojas no centro também está ligado a mudanças no perfil da cidade e no comportamento da população. “O que está acontecendo em Pelotas é semelhante ao que ocorreu em grandes cidades quando cresceram. Antes, a maior parte das escolas, residências e serviços estava concentrada no centro. Com o surgimento de novos bairros e condomínios, as pessoas passaram a morar mais distantes e o comércio começou a se dispersar”, afirma.

Segundo Antonioli, essa transformação faz com que empresas busquem se instalar mais próximas dos consumidores. Além disso, novas formas de venda também têm impactado a necessidade de manter lojas físicas em regiões centrais. “Hoje muitas lojas vendem grande parte de seus produtos por meio de lives e redes sociais. Algumas empresárias do setor de moda feminina perceberam que podem manter suas vendas mesmo fora do centro, com custos menores de aluguel”, explica.

Centro vivo

Apesar das mudanças, o dirigente afirma que o calçadão central ainda mantém forte demanda por pontos comerciais, devido ao intenso fluxo de pedestres. Fora dessa área, entretanto, o cenário se mostra mais desafiador. Antonioli ressalta que a revitalização do centro é fundamental para manter sua atratividade. Entre os problemas apontados estão prédios antigos sem manutenção, dificuldades de infraestrutura urbana e questões sociais que afetam a percepção de segurança.

“O centro precisa de reestruturação, paisagismo e modernização. É o cartão de visitas da cidade e precisa continuar sendo frequentado por pessoas de todas as classes sociais”, defende. Outro fator citado pelo dirigente é a necessidade de modernização dos próprios imóveis comerciais. Segundo ele, prédios reformados e com melhor estrutura tendem a manter suas lojas ocupadas.

“Quando os proprietários investem em reformas e adequações, normalmente conseguem alugar com facilidade. Já muitos imóveis antigos, mal conservados e com aluguéis incompatíveis com o faturamento atual acabam ficando vazios”, observa. Mesmo diante das transformações, especialistas avaliam que o comércio central de Pelotas ainda possui potencial para se manter ativo, desde que haja planejamento empresarial e iniciativas de revitalização urbana capazes de acompanhar as novas dinâmicas de consumo da cidade.

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