Educação financeira diária para fazer render o salário durante o mês

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Educação financeira diária para fazer render o salário durante o mês

Professor de Economia da Faem/UFPel, Gabrielito Menezes explica como é possível organizar o orçamento familiar

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Educação financeira diária para fazer render o salário durante o mês
Percepção da inflação está em itens básicos que acumulam reajustes (Foto: Jô Folha)

A alta dos preços de produtos que fazem parte do dia a dia das famílias impacta diretamente o orçamento. No carrinho do supermercado, a percepção da inflação está em itens básicos que acumulam reajustes, o que exige do consumidor mudanças de hábitos. O planejamento entre receitas e despesas passou a ser determinante para que o salário possa durar todo o mês. E isso inclui o comportamento do consumidor, exigindo mais pesquisas e deixando de lado as tentações das promoções.

Para o professor de Economia da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da Universidade Federal de Pelotas (Faem/UFPel), Gabrielito Raiter Menezes, a educação econômica começa pela ida ao supermercado, que deixou de ser uma tarefa automática e precisa ser encarada como parte do planejamento financeiro. “Desde o acordar nós estamos fazendo um movimento econômico, com apagar a luz, tomar um café e isso é importante. Mas a minha primeira dica é: não vá ao supermercado ou a feira com fome, porque você acaba comprando além do necessário”, aponta. O professor segue com dicas importantes para quem já esgotou o salário, antes mesmo do mês acabar.

Confira:

  • Dica 1: Vá ao supermercado com planejamento e lista definida
    O professor orienta que o consumidor nunca vá ao supermercado sem uma lista prévia. “A lista funciona como um freio ao impulso. Quando a pessoa circula pelos corredores sem planejamento, tende a comprar mais do que precisa”, explica. Ele recomenda verificar antes o que já há em casa, organizar o cardápio da semana e definir quantidades aproximadas.
  • Dica 2: A ida à feira livre é importante, pois a tendência é de que a prática de preços seja mais em conta. Mas também devem ficar atentos às ofertas das grandes redes no dia da horta.
  • Dica 3: Outra estratégia é estipular um valor máximo de gasto antes de sair de casa. Essa prática ajuda a manter o foco e evita que promoções aparentes levem a compras desnecessárias. Menezes também sugere atenção ao preço por unidade de medida (quilo, litro), que muitas vezes revela que embalagens maiores nem sempre representam economia real.
  • Dica 4: De acordo com o economista, o comportamento dentro do supermercado influencia diretamente o orçamento. Produtos expostos em pontos estratégicos, como pontas de gôndola e próximos aos caixas, costumam estimular compras por impulso. “Nem toda promoção é, de fato, vantajosa. É preciso comparar preços entre marcas e, se possível, entre diferentes estabelecimentos”, afirma.
  • Dica 5: Substituir marcas mais caras por alternativas similares e avaliar a sazonalidade de frutas e verduras, que ficam mais baratas em época de safra. “Pequenas decisões repetidas toda semana fazem grande diferença no fechamento das contas no fim do mês”, conclui. Isso inclui, por exemplo, se a compra é para o mês inteiro, chamado rancho, a dica é usar o carrinho. Se for para as compras da semana, use a cestinha.
  • Dica 6: Algumas escolhas são quase inegociáveis, segundo o especialista, como o arroz com feijão. Base da alimentação do brasileiro, nutritivos e acessíveis, eles garantem saciedade e qualidade nutricional sem pesar no bolso. O desafio maior tem sido a carne bovina, que segue com preços elevados, pressionados pelo câmbio e pelas exportações, o que encarece o mercado interno. Diante disso, pesquisar e substituir é uma estratégia inteligente: trocar a carne de rês por frango, observar promoções, valorizar a carne suína, muitas vezes menos explorada, e até incluir mais pescado na rotina, especialmente em regiões produtoras, como Pelotas, com a Colônia de Pescadores Z-3.
    Planejamento financeiro
  • Dica 7: Para o professor Menezes muitas famílias sabem quanto ganham, mas não têm clareza sobre para onde o dinheiro vai, muitas vezes, pelo uso do cartão de crédito e o Pix que tiram a noção do dinheiro real. “O Pix costumo chamar de gasto fantasma. Então, o que é importante é anotar tudo que você gasta”, explica. Ele recomenda registrar despesas fixas e variáveis, identificar excessos e estabelecer prioridades. A partir desse diagnóstico, é possível cortar gastos supérfluos e direcionar recursos para objetivos mais importantes, como quitar dívidas ou formar uma reserva de emergência. “Um exemplo é o consumo de refrigerantes. Se nós pensarmos um pouco, a classe B e C hoje é a classe que mais consome porque está muito acessível. Mas é um bem supérfluo.”
  • Dica 8: Para quem está começando a carreira e sonha em adquirir bens, o ponto fundamental, para o educador econômico, é o planejamento aliado à educação financeira. Esse é um aprendizado que, segundo ele, deveria começar ainda na infância, como já ocorre em países como os Estados Unidos, preparando a pessoa para lidar melhor com o dinheiro quando ingressa no mercado de trabalho. “A chamada ‘regra de ouro’ é simples: ao receber o salário, poupar de 10% a 20%, ou seja, ‘pagar-se primeiro’, e organizar a vida com o valor restante”, destaca. Criar uma reserva de emergência é indispensável, pois imprevistos acontecem.

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