O que você faria se descobrisse que alguém está oferecendo imagens sexuais ao seu filho adolescente, com idade entre 13 e 15 anos? Pois o Instagram é esse “alguém”, de acordo com o depoimento de Adam Mosseri, chefe de uma das maiores redes sociais do mundo, voltada ao compartilhamento de fotos e vídeos, no processo que transcorre no estado norte-americano da Califórnia.
A divulgação do depoimento pela Reuters escancara o debate promovido mundialmente por especialistas sobre a culpabilidade dessas ferramentas no aumento de doenças, distúrbios e outros problemas associados ao uso abusivo e descontrolado das telas, principalmente pelos mais jovens.
Segundo o processo judicial, “quase 1 em cada 5 usuários do Instagram, com idade entre 13 e 15 anos, disseram à Meta que viram ‘nudez ou imagens sexuais’ na plataforma que não queriam ver”.
Mosseri prestou o depoimento em março do ano passado, e a Reuters analisou trechos em que ele faz a admissão. Mundialmente, a Meta, dona do Facebook e do Instagram, é acusada de prejudicar os usuários jovens com seus produtos. Apenas nos Estados Unidos, são milhares de ações judiciais em curso. Eles denunciam a empresa por criar produtos que levam ao vício e gerar uma crise de saúde mental no público com pouca idade.
O depoimento de Mosseri trouxe ainda outras revelações. Quase 10% dos usuários de 13 a 15 anos disseram já ter presenciado “alguém se machucar ou ameaçar fazer isso no Instagram”. As estatísticas sobre imagens explícitas surgiram por meio de uma pesquisa com usuários da plataforma.
O alerta já vem sendo disparado há alguns anos e, desde o ano passado, países têm sido pioneiros na reação ao acesso às redes sociais pelos jovens, com restrições duras. A revelação feita pela Reuters joga luz, por mais assustador que pareça — e é —, sobre um tema urgente na nossa sociedade.
