A Câmara de Vereadores de Pelotas deve realizar uma audiência pública para debater a situação dos camelôs e do comércio informal no Centro, especialmente na rua Marechal Floriano e no Calçadão. A iniciativa, proposta pelo vereador Cristiano Silva (UB), ainda não tem data prevista, mas visa discutir alternativas para organizar o setor, considerando também o Pop Center, que registra várias lojas vazias e já teve questionamentos sobre o valor dos aluguéis.
Durante a sessão, dez vereadores se manifestaram sobre o assunto. O autor do requerimento diz não ser contra os camelôs, mas criticou a presença de vendedores nas calçadas. Ele argumentou que isso gera concorrência desleal com lojistas que pagam impostos e pode dificultar a circulação de pedestres. Também citou que há lojas fechando no Centro, inclusive no Pop Center de Pelotas.
Busca por equilíbrio
O presidente da Câmara, Michel Promove (PP), defendeu a realização de uma audiência pública para discutir o tema. Para ele, trata-se de um tema sensível que abrange três grupos: os lojistas, que pagam impostos e têm perdido competitividade para outros centros comerciais da cidade; os permissionários do Pop Center, que também pagam impostos e têm um aluguel bastante elevado; e os ambulantes, muitas vezes pessoas desempregadas que empreendem por necessidade.
Para Promove, uma audiência pública auxiliará na busca por alternativas para esse cenário. Ele defende a realocação dos ambulantes que hoje estão no Centro para um espaço onde tenham condições de sobreviver e exercer sua atividade. “Apenas remover ou retirar essas pessoas das ruas não resolve o problema”, pondera.
Por isso, o presidente destaca a necessidade de um equilíbrio entre três grupos. “Acredito que a audiência pública tem a responsabilidade de tentar organizar uma solução para o problema sem retirar o sustento dessas pessoas, mas também buscando uma alternativa que contemple essas três realidades”, afirma.
Ambulantes apontam dificuldades
Um ambulante que trabalha no Centro de Pelotas e preferiu não se identificar afirma que a proposta não considera a realidade de quem depende da circulação de pessoas. Segundo ele, a atividade da categoria está diretamente ligada ao movimento intenso da região central e, mesmo com a passagem diária de milhares de pessoas, as vendas costumam ser reduzidas. “Às vezes passam 20 mil pessoas e fazemos quatro ou cinco vendas no dia”, relata. Para o ambulante, em um espaço com menor fluxo de público as vendas seriam ainda mais difíceis.
Outro ponto apontado é o custo para manter um box no camelódromo. De acordo com ele, muitos vendedores já enfrentam dificuldades para comprar mercadorias e manter as despesas pessoais, como aluguel e contas básicas. “A gente nunca sabe quanto vai ganhar no dia. Como é que vai ter certeza de que vai conseguir pagar um aluguel?”, questiona. Para o trabalhador, muitos ambulantes atuam no local por necessidade e dependem da atividade para garantir o sustento das famílias.
A gerência do Pop Center afirma que a concessionária não irá se manifestar individualmente e espera manifestação do Conselho Gestor.
