“Os surdos estão, cada vez mais, ocupando espaço em todos os lugares e tendo a consciência de que podem fazer isso”

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“Os surdos estão, cada vez mais, ocupando espaço em todos os lugares e tendo a consciência de que podem fazer isso”

Anelise Nunes e Ana Paula – Intérpretes de Libras

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Atualizado segunda-feira,
23 de Fevereiro de 2026 às 10:58

“Os surdos estão, cada vez mais, ocupando espaço em todos os lugares e tendo a consciência de que podem fazer isso”
Ana Paula (E) e Anelise participaram do Festival Sesc de Música (Foto: Divulgação)

Ser intérprete de Libras vai muito além da comunicação. É um ato de amor, inclusão e responsabilidade, em que profissionais se dedicam a serem a ponte comunicativa entre surdos e ouvintes, garantindo em tempo real, que ambos possam interagir em qualquer ambiente. Há 24 anos a Língua Brasileira de Sinais é reconhecida como meio de comunicação e expressão no Brasil. Em Pelotas, Ana Paula Terra e a Anelise Nunes são – de fato – as vozes para muitas pessoas em sala de aula, na repartição pública, e em diversos eventos, como o 14ª Festival Internacional Sesc de Música, em que graças a uma dinâmica com balões, os surdos puderam ‘sentir a vibração’ da música de concerto.

Como o universo das libras entrou na vida de cada uma?

Ana Paula – Há 25 anos, vi pela primeira vez em São Paulo e não sabia do que se tratava. Em Pelotas, tive duas colegas que estavam iniciando os estudos nessa área e me interessei. Por ser bem mais nova, não tinha condições de pagar cursos, então ficava em uma das paradas de ônibus no Calçadão, esperando que os surdos descessem dos ônibus, para me comunicar e aprender com eles. Só sabia o alfabeto nessa época. Com isso, eles me levaram para a Associação dos Surdos de Pelotas (ASP), fiz o primeiro curso e hoje atuo na prefeitura como facilitadora de comunicação.

Anelise – Tenho uma sobrinha que é surda e a partir disso fui buscar a formação porque queria um meio de conseguir me comunicar com respeito com ela. No início não tinha a intenção de virar uma profissão e hoje tenho muito carinho pelo que faço e por toda comunidade surda. Hoje sou intérprete do Estado e tenho outras atividades também voltadas com o público surdo.

Vocês acham que o acesso das pessoas surdas têm chegado a mais lugares ou ainda há espaços que não conseguimos avançar como deveríamos?

Ana Terra – O acesso, principalmente, tem ocorrido pela educação. Os surdos saíram do Ensino Fundamental para o Médio, e se depararam com muitas oportunidades, que não tinham conhecimento naquela época. O Colégio Pelotense foi a escola que formou a primeira turma de professores surdos. Hoje em dia, a UFPel tem um curso de Letras Libras e Literatura Surda, isso é muito importante para a comunidade. Aos poucos a gente percebe que tem se ampliado realmente a acessibilidade.

Anelise – O que percebo é que os surdos estão, cada vez mais, ocupando espaço em todos os lugares, estão tendo essa consciência de que podem fazer isso, tanto na área da educação quanto em outras áreas. E para mim, a primeira palavra que motiva a fazer o meu trabalho é o respeito. A pessoa que não faz parte da comunidade pode não conhecer a língua, não saber se comunicar, mas estar aberta com aquele olhar da importância de ter esse momento da sensibilidade, de ter um profissional mediando a comunicação. Nós somos mediadoras de comunicação e a comunidade surda precisa disso em todos os ambientes.

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