Pelotas tem mais de 20 mil empresas lideradas por mulheres

Elas empreendem

Pelotas tem mais de 20 mil empresas lideradas por mulheres

Por trás de cada empreendimento há histórias de quem transformou desafios em oportunidades

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Atualizado quarta-feira,
03 de Junho de 2026 às 11:02

Pelotas tem mais de 20 mil empresas lideradas por mulheres
Iria Cardoso Fernandes abriu sua boutique online há quatro anos e agora irá rumar para espaço físico (Foto: Jô Folha)

Começar um negócio, administrar um lar, cuidar da família não são mais barreiras e sim desafios que serão contadas através do Projeto Elas Empreendem, do Grupo A Hora. Na vitrine, histórias de superação e de transformações da realidade, unindo talento, potencialidade e muita coragem, como a de Iria Cardoso Fernandes, 44, que comanda a Iriá’s Boutique.

Conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil é o sétimo país com mais mulheres empreendendo no mundo. São 32 milhões, de um total de 52 milhões de pessoas tocando um negócio. Em Pelotas, das 46.022 empresas ativas, 45,44% são lideradas por mulheres, entre elas, está a Iria que é um exemplo de como necessidade, persistência e criatividade podem resultar em um empreendimento consolidado. A empresária decidiu abrir o próprio negócio após perder o emprego durante a pandemia, logo depois do nascimento do filho Vitório.

“Eu fiquei desempregada quando voltei da licença-maternidade. Precisava fazer alguma coisa que me permitisse ficar próxima da maternidade e também ocupar a mente naquele período tão difícil. Sempre gostei do mundo da moda e resolvi começar”, recorda. Sem experiência no setor, iniciou as vendas pela internet. Procurou fornecedores por conta própria, comprou as primeiras peças e passou a produzir as fotos em casa. Foi também a primeira modelo da marca.

“Eu fazia tudo sozinha. Comprava as roupas, provava, fotografava e divulgava. Descobri que quando eu mesma aparecia nas fotos as vendas aumentavam. As clientes se identificavam comigo e com o meu tipo físico”, conta. Segundo Iria, a identificação das consumidoras foi fundamental para o crescimento da boutique.

Empresária diz que o primeiro passo é acreditar em si mesma (Foto: Jô Folha)

Quase quatro anos depois do início do negócio, ela segue investindo na ampliação da empresa. Além da presença digital, está estruturando um espaço físico para atender clientes que preferem experimentar as peças pessoalmente. Com a proximidade do Dia dos Namorados, a decoração é em tom romântico e há muitas ideias que a empresária pretende colocar em prática.

Durante essa caminhada, a empresária recebeu o diagnóstico de autismo do filho. A notícia alterou completamente a rotina da família e exigiu uma reorganização das prioridades. “Foi um momento muito difícil. Meu marido precisou parar de trabalhar e passamos cerca de um ano e meio focados nas terapias, nos atendimentos e buscando informações. Tivemos que correr atrás de tudo para garantir o tratamento dele”, relembra.

Rede de negócios

A busca por qualificação também se tornou parte da rotina. Entre os cursos realizados, os temas mais importantes foram vendas, transmissões ao vivo e, principalmente, precificação. “Eu tinha muita dificuldade para colocar preço nas peças. Calculava apenas o valor da roupa e esquecia custos como transporte e deslocamentos. Acabava sem margem de lucro. Os cursos me ajudaram a entender que tudo isso precisa entrar na conta.”

Outro fator que contribuiu para o fortalecimento do negócio foi a participação em grupos de empreendedoras. Segundo ela, as redes de apoio criadas entre mulheres ajudam tanto na troca de experiências quanto na indicação de fornecedores e serviços. “Primeiro é preciso acreditar em si mesma e no produto que está oferecendo. Tem que meter as caras. Vergonha não paga boleto.”

Ferramentas de apoio

O fortalecimento do empreendedorismo feminino também passa por ações de qualificação e apoio institucional. Para o secretário de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação Jeferson Sigales, o crescimento dos negócios liderados por mulheres representa não apenas desenvolvimento econômico, mas também autonomia financeira e transformação social. “Quando falamos de empreendedorismo feminino, não estamos tratando apenas de negócios. Estamos falando de independência econômica, proteção social e geração de oportunidades. É um tema extremamente relevante para o desenvolvimento do território”.

 

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