Os indicadores da criminalidade divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado apontam um trimestre menos violento nas duas principais cidades da região Sul, exceto para os casos de estelionatos, que dobraram em Pelotas. O balanço é de cenários distintos. Enquanto Rio Grande apresenta queda nos crimes letais e contra o patrimônio, Pelotas acende um sinal de alerta sobre golpes e furtos de veículos.
No município, o número de homicídios subiu de um para três casos na comparação com o mesmo trimestre de 2025. O reflexo aparece também nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que passaram de dois para cinco registros. Apesar dos números absolutos ainda baixos, a elevação indica mudança no comportamento da violência na cidade.
Já em Rio Grande, o cenário é inverso. Os homicídios caíram de nove para quatro, enquanto os CVLIs reduziram de dez para quatro ocorrências. Nos casos de roubos, a redução foi de 45,25%. “Referente a esse último indicador, especialmente os roubos praticados contra pedestres, verificamos uma queda relevante, resultado direto da intensificação de ações voltadas ao enfrentamento da receptação”, observa a titular da 7ª Delegacia Regional de Polícia, delegada Lígia Furlanetto.
Para a autoridade, a qualificação das investigações, com foco na identificação e responsabilização de receptadores tem possibilitado, inclusive, a recuperação de aparelhos celulares subtraídos, desestimulando a cadeia econômica que sustenta esse tipo de crime.
Sobre os homicídios, a delegada Lígia diz que é observado um trabalho contínuo, estruturado e integrado entre os órgãos de segurança e o Ministério Público e o Poder Judiciário. “Trata-se de uma atuação coordenada, baseada em análise criminal, compartilhamento de informações e ações estratégicas voltadas à responsabilização de autores e à desarticulação de organizações criminosas.”
A delegada destaca ainda a adoção da metodologia de dissuasão focada, adotada pela Delegacia de Homicídios, que consiste na identificação de indivíduos e grupos mais propensos à prática de crimes violentos, direcionando sobre eles ações prioritárias de investigação e repressão qualificada. “Essa estratégia tem se mostrado eficaz na prevenção de novos delitos e na redução dos índices de violência letal”.
Delitos em Pelotas
Mesmo com a onda de assaltos em Pelotas, os crimes contra o patrimônio registraram redução em indicadores tradicionais, como furtos (2,65%) e roubos (2,69%). No entanto, quanto ao furto de veículos, o registro de ocorrências aumentou 87,5% no trimestre. A subcomandante do 4º BPM, major Pâmela Mühlemberg Tavares Saueressig, observa algumas ações de roubo a estabelecimentos comerciais nos últimos dias e está direcionando o patrulhamento para esses locais. “Trabalhamos com um sistema estatístico que identifica os chamados ‘pontos quentes’, onde ocorrem mais crimes. A partir disso, posicionamos as guarnições nesses locais para prevenção e repressão. Na sexta-feira, o suspeito de cometer vários assaltos a farmácias foi preso.”
Golpes duplicam
O destaque negativo para Pelotas fica por conta do estelionato, que apresentou 100,5% de aumento, o que sugere a expansão de golpes, especialmente os praticados por meios digitais. Ainda este ano, a região deverá contar com um Cartório Especializado em Crimes Cibernéticos, com investigação focada no crime de estelionato.
Violência doméstica persiste
Os dados de violência doméstica indicam um cenário de atenção nas duas cidades. Somente na manhã de ontem, dois homens foram presos, enquadrados na Lei Maria da Penha. A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), cumpriu mandado de prisão preventiva de R.D.C., 42, pela prática dos crimes de estupro e lesão corporal no contexto de violência doméstica contra a mulher. Em Pelotas, um homem foi flagrado ameaçando a companheira grávida e acabou detido.
Na cidade, o número de ameaças cresceu 12,65%, enquanto as tentativas de feminicídio passaram de duas para três. Também houve aumento nos registros de estupro. Em entrevista à Rádio Pelotense, a major Pâmela destacou que há uma demanda significativa de violência doméstica, porém sem registros de feminicídio neste ano. “A Patrulha Maria da Penha tem atuação bastante intensa, realizando o acompanhamento das medidas protetivas. Já foram mais de 700 visitas de fiscalização. Além disso, estamos ampliando ações de conscientização em eventos com grande público, como festas e jogos de futebol”, enfatiza.
Comando do 4ºBPM
Com o comandante do Batalhão, tenente-coronel Fábio Martinez Maciel sendo designado para a execução de missão específica junto ao Comando Regional de Polícia Militar Sul, a major está interinamente, em caráter transitório, à frente da unidade. O CRPO/Sul ressalta que não houve afastamento da função, mas sim designação para atividade estratégica.