Rio Grande integra projeto pioneiro de energia eólica offshore

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Rio Grande integra projeto pioneiro de energia eólica offshore

Evento que oficializou a adesão do Oceantec/Furg ao Aura Sul Wind foi realizado nesta quinta-feira

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Atualizado quinta-feira,
15 de Janeiro de 2026 às 19:06

Rio Grande integra projeto pioneiro de energia eólica offshore
Presente no evento, o secretário da embaixada do Japão no Brasil, Tomoki Mitsuya, relembrou que em 2025 a relação diplomática entre os dois países completou 130 anos (Foto: Jô Folha)

A partir da sua localização geográfica, Rio Grande prepara-se para ser um polo estratégico para o segmento eólico no Brasil. Um destes passos foi dado nesta quinta-feira (15), com a adesão do Oceantec, o Parque Tecnológico da Furg, ao Aura Sul Wind, o primeiro projeto-piloto de energia eólica offshore flutuante da América Latina.

Coordenado pela empresa japonesa JB Energy, o projeto consiste na instalação de uma plataforma flutuante de concreto a aproximadamente 60 quilômetros da costa. A estrutura é baseada em uma tecnologia desenvolvida pela empresa e integra uma turbina eólica de 18 megawatts.

Atualmente, o projeto está na fase 1, que consiste nos estudos preliminares de engenharia, avaliação locacional e início do licenciamento ambiental. Os próximos passos envolvem a instalação de uma bóia meteoceanográfica, o aprofundamento dos estudos e o início do diálogo com as comunidades costeiras e pesqueiras.

A fase de construção e de testes do projeto-piloto está prevista para iniciar a partir de 2029, com a entrada em operação comercial projetada para após 2032. O investimento estimado até a conclusão é de US$ 100 milhões.

O objetivo é validar a tecnologia, testar a cadeia local de suprimentos e preparar o caminho para implantações em escala, que podem movimentar milhões em recursos, além do alto potencial de geração de empregos. O engenheiro e CEO da JB Energy, Rodolfo Gonçalves, destaca que, com a escolha de Rio Grande como sede da primeira subsidiária da empresa no Brasil, busca-se impulsionar o desenvolvimento regional. “Fazer do projeto um motor para incentivar novos negócios e a cadeia produtiva. Com isso, consolidar Rio Grande como referência em geração de energia no Brasil e no mundo, gerar conhecimento, cooperação e renda para a comunidade”, diz.

Por que Rio Grande?

A cidade foi selecionada a partir de critérios estratégicos que combinam atributos naturais, logísticos, industriais e ambientais. A prefeita Darlene Pereira (PT) afirma que a empresa está no lugar certo e que o Município compromete-se em auxiliar para que haja um desenvolvimento real do projeto. “Que bom que Rio Grande está sendo olhada dessa maneira, que enxergam a nossa cidade com a capacidade que ela tem, a partir de atrativos importantes que precisam ser olhados para o desenvolvimento”, afirma.

Também foi destacada a localização da cidade em articulação com o complexo portuário e industrial, bem como o modelo de governança do Parque Tecnológico, que promove a integração entre universidade, empresas, poder público e outros atores institucionais.

Oceantec

Quanto à escolha do Oceantec, a empresa a avalia como estratégica, visto que a presença da universidade cria um ambiente de coexistência entre pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e operação industrial.

O diretor do Parque Tecnológico da Furg, Samuel Bonato, anunciou no evento que a JB Energy passará a ter uma sede em Rio Grande, no próprio Oceantec. “Esse projeto tem potencial para impulsionar todas as organizações da região”, diz.

Representando os professores e pesquisadores que compõem a universidade, o professor do Instituto de Oceanografia, Osmar Möller, destaca que o projeto não trata apenas da geração de energia, mas de uma série de conhecimento voltado para o mar. “É um dos mais importantes projetos que estou participando na minha vida e ele deve ter uma atenção especial dos governos, pois pode levar o Rio Grande do Sul a outros patamares e ampliar horizontes na graduação e na pós”, afirma.

Projeto bilateral

Presente no evento, o secretário da embaixada do Japão no Brasil, Tomoki Mitsuya, relembrou que em 2025 a relação diplomática entre os dois países completou 130 anos. Além disso, neste ano, completam-se 70 anos da chegada dos imigrantes japoneses ao porto de Rio Grande.

Para Mitsuya, o projeto de energia eólica offshore em Rio Grande simboliza a forte cooperação econômica e tecnológica entre os países, especialmente no setor de energias renováveis. “Ele [projeto] contribuirá para o desenvolvimento sustentável do Brasil e do Japão, além do progresso da comunidade rio-grandina”, diz o representante da embaixada.

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