Grande volume de chuva causa transtornos em São Lourenço do Sul

Clima

Grande volume de chuva causa transtornos em São Lourenço do Sul

Condição climática tomou proporções que não estavam previstas

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Atualizado quarta-feira,
14 de Janeiro de 2026 às 18:53

Grande volume de chuva causa transtornos em São Lourenço do Sul
(Foto: Divulgação)

A atuação de um sistema de baixa pressão na costa gaúcha vem causando instabilidade na costa do Rio Grande do Sul nos últimos dias, em especial na porção de cidades próximas da Lagoa dos Patos e no Litoral Norte gaúcho. Na noite de terça-feira (13), estavam previstos acumulados de chuva de 15 milímetros na cidade de São Lourenço do Sul, de acordo com o Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual. No entanto, em poucas horas, uma forte chuva localizada causou intensos alagamentos no município, contrariando as previsões.

Segundo a Defesa Civil de São Lourenço do Sul, uma nuvem concentrou-se na costa do município gerando fortes chuvas, que ocorreram de forma rápida e localizada, com acumulados de 72 milímetros em cerca de duas horas. A medição é do Pluviômetro instalado no Campus da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) em São Lourenço do Sul, o que impossibilitou a emissão de alerta prévio. A situação demandou atuação imediata e integrada das equipes da administração municipal, forças de segurança, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros, para o monitoramento e atendimento das ocorrências.

As equipes realizaram 12 atendimentos à comunidade lourenciana atingida pelo evento. As ações priorizaram a segurança da população, a mitigação de riscos e a redução dos impactos provocados pelo volume de chuva. Foi realizado o bloqueio preventivo de vias, a desobstrução de bueiros e intervenções emergenciais em áreas com registros de alagamentos, visando restabelecer as condições de circulação e drenagem. Cerca de 10 pontos da cidade registraram ocorrências mais significativas de alagamentos.

O prefeito Zelmute Marten (PT) afirma que o município tem sido cada vez mais castigado pelas mudanças climáticas e que, por isso, o esforço do executivo tem sido em mitigar estes efeitos. No entanto, ainda que haja este direcionamento, o povo lourenciano vem sendo acometido por fenômenos naturais que relembram catástrofes de anos anteriores. “Isso acende na memória dos nossos cidadãos o que aconteceu em 2011, onde o município foi acometido com uma enxurrada, com o registro de mais de 600 milímetros de chuva em poucas horas e a zona urbana foi destruída”, relembra.

Monitoramento

Atualmente, São Lourenço do Sul conta com o trabalho do Centro Interinstitucional de Eventos Extremos (Ciex) da Furg, que emite boletins meteorológicos de quatro em quatro dias e, quando ocorrem eventos climáticos extremos, esses boletins meteorológicos são feitos de hora em hora. Segundo o prefeito, a zona urbana ficou inundada porque o sistema de drenagem não suportou. Empresas e casas foram alagadas e, as que estão localizadas às margens da praia da Barrinha, ficaram totalmente danificadas. “Neste momento, nós estamos trabalhando nos relatórios e em contato com as defesas civis Estadual e Nacional. Vamos elaborar propostas para que nós possamos receber recursos para o restabelecimento da Orla”, garante Marten.

Ainda na tarde desta quarta-feira (14), com a melhora das condições climáticas e o escoamento da água em direção à lagoa, equipes trabalhavam na recuperação do entorno da praia da Barrinha.

As equipes de São Lourenço seguem acompanhando as condições climáticas e realizando avaliações técnicas, com foco na prevenção de novos transtornos e no atendimento às demandas da comunidade.

Situação de emergência

Enquanto o município enfrentava mais um grande desafio climático, era publicado no Diário Oficial da União a portaria que reconhecia a situação de emergência em São Lourenço do Sul, após os estragos causados pela passagem do ciclone extratropical nos dias 9 e 10 de dezembro do ano passado. “Segundo estudos da UFPel, de 1983 para cá, todos os anos nossa cidade está em situação de emergência ou calamidade, e em alguns os dois ao mesmo tempo, em razão de chuvas, ventos, seca, granizo e de um conjunto de eventos climáticos extremos que serão cada vez mais recorrentes”, explica Zelmute.

Pelotas também teve o decreto de situação de emergência reconhecido pelo governo federal.  O documento garante agilidade ao município para ter acesso a recursos em âmbito estadual e federal para a recuperação da estrutura destruída ou comprometida pelo evento climático extremo. O prejuízo estimado na cidade é de mais de R$ 7,4 milhões.

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