A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) perdeu R$ 106 milhões em recursos de custeio entre 2014 e 2025, o equivalente a um ano e um mês do orçamento anual da instituição. O dado, calculado pela própria gestão e revelado pela reitora Úrsula da Silva, é resultado dos cortes orçamentários acumulados ao longo da última década.
Além da perda histórica, a UFPel começou o ano operando no negativo e com previsão de déficit orçamentário de até R$ 15 milhões ao longo de 2026. A instituição entrou no ano com R$ 8 milhões de déficit e projeta mais R$ 7 milhões adicionais, valor que representa cerca de dois meses de custeio sem cobertura orçamentária.
Segundo a reitora, a universidade está utilizando recursos de 2026 para quitar despesas de 2025, enquanto aguarda uma possível recomposição orçamentária por parte do Ministério da Educação (MEC). “A gente paga as contas até onde tiver, mas temos dois meses faltando. Por isso estamos na expectativa de ter apoio do MEC até metade do ano”, afirma.
Em dezembro, os cortes feitos pelo Congresso Nacional no orçamento das universidades públicas durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 acenderam um novo alerta. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) estimou uma redução total de R$ 488 milhões para as 69 universidades federais.
A proposta prevê uma redução de cerca de 7% nos repasses federais, fazendo com que o orçamento discricionário passe de R$ 102 milhões para R$ 95,5 milhões. Esses recursos financiam despesas básicas da universidade, como manutenção, bolsas acadêmicas, contratos e pesquisas.
Sem cortes de bolsas
Apesar do cenário de restrição financeira, a gestão da UFPel nega qualquer corte ou suspensão de bolsas estudantis até o momento. “Não temos nenhum corte de bolsas. As nossas prioridades são atender os estudantes em seus benefícios todos, como RU, transporte e contratos”, destaca Úrsula.
Mesmo assim, estudantes relatam atrasos pontuais no pagamento de alguns auxílios neste início de ano. O estudante Henrique Neto, 22 anos, conta que houve demora no repasse de benefícios para colegas neste mês. “Agora no início do ano deu uma atrasada nos auxílios de alguns. O meu não foi tanto, mas de um colega que mora comigo demorou mais. Não tenho certeza se tem a ver com os cortes orçamentários”, relata.
Medidas de contenção mantidas
Diante da diminuição de recursos, a universidade decidiu manter em 2026 as mesmas medidas de contenção adotadas no ano anterior, como a redução de viagens, menos editais para eventos e restrição das saídas de campo em atividades acadêmicas. “Até o momento foi o que decidimos”, afirma a reitora.
Tema será discutido em Brasília
Entre os dias 26 e 28 de janeiro, Úrsula participará de reuniões da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em Brasília (DF), com o MEC. A recomposição do orçamento das universidades federais será o principal tema da agenda.
A reportagem procurou a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) para saber se a instituição enfrenta situação semelhante neste início de 2026, mas ainda não obteve retorno até o fechamento desta edição.
