O agente secreto faz história ao conquistar dois prêmios do Globo de Ouro

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O agente secreto faz história ao conquistar dois prêmios do Globo de Ouro

Filme brasileiro, com direção de Kleber Mendonça Filho, ganha nas categorias de Melhor Ator de Drama e Melhor Filme de língua não-inglesa

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O agente secreto faz história ao conquistar dois prêmios do Globo de Ouro
(Foto: Divulgação)

O cinema brasileiro começa esta semana com uma nova página no livro da sua história. Quem escreveu este capítulo foi o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho e o ator baiano Wagner Moura, que fizeram história ao serem destacados durante a entrega da premiação do Globo de Ouro 2026, prêmio da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood. Representando o Brasil, O agente secreto conquistou as premiações nas categorias de Melhor Filme em língua não-inglesa e Melhor Ator em Drama, para Moura.

Há 27 anos o Brasil não tinha essa alegria de ver um filme nacional premiado no Globo de Ouro. Em 1999 foi Central do Brasil, de Walter Salles, que conquistou pela primeira vez a crítica norte-americana. Naquele ano, a produção brasileira ainda foi indicada ao Oscar em duas categorias, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro, mas não conquistou nenhuma das duas.

Em um ano de grandes competidores em ambas as categorias disputadas por O agente secreto, o longa de Mendonça Filho iniciou a madrugada desta segunda-feira cacifado para também obter mais de uma indicação ao Oscar 2026. Com uma carreira de premiações, que começou logo na estreia internacional em maio no Festival de Cannes, onde arrebatou os prêmios de Melhor Direção, Ator para Moura, o Prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema e o Art et Essai, concedido pela Associação Francesa de Cinema.

Nesta temporada de prêmios internacionais, o filme de Mendonça Filho conquistou até agora 56 troféus em 36 premiações. O  professor substituto do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas, Max Cirne, mestre em Artes Visuais e doutor em Ciências da Comunicação, avalia que esse destaque internacional de filmes brasileiros nos últimos dois anos (lembrando Ainda estou aqui, de 2024), mostra a força do cinema brasileiro.

Chances no Oscar

Representando o Brasil, O agente secreto conquistou as premiações nas categorias de Melhor Filme em língua não-inglesa e Melhor Ator em Drama, para Moura (Foto: Divulgação)

Sobre as chances de indicações ao Oscar, Cirne comenta que a presença de Wagner Moura, que é um ator conhecido por outras produções norte-americanas, inclusive sendo indicado ao Globo de Ouro pela série Narcos, é por si um chamariz para o público internacional. “O Globo de Ouro permanece como um dos principais termômetros para o Oscar. Então, certamente O agente secreto deve receber indicações. A mais garantida é para Melhor Filme Internacional”, diz.

Há ainda grandes chances de Moura ser indicado para Melhor Ator, na opinião de Cirne. A indicação a Melhor Filme do ano é a mais difícil. Inicialmente, o longa-metragem norueguês Valor sentimental estava na frente da disputa. “Porém, depois de perder para O agente secreto no Globo de Ouro, as chances do filme brasileiro aumentaram muito”, fala.

Fase importante

Para a professora, doutora em Educação, e diretora do curso de Cinema da UFPel, Cintia Langie, o cinema brasileiro vive uma importante fase, não só por conta das premiações nacionais e internacionais, mas também pela retomada das políticas públicas. “Pela descentralização da produção, e o número cada vez maior de filmes feitos com muita diversidade, em diversas cidades do país”, fala Cintia.

Por sua vez, o professor Michael Kerr, também do curso de Cinema, destaca o roteiro, que é do próprio Mendonça Filho, e a montagem como cruciais para o sucesso desta narrativa. “A ditadura (Militar), por exemplo, é um tema que está no filme, como base. Ela vai aparecer infiltrada nos gestos cotidianos, no silêncio, na autocensura, nas pessoas que têm duas caras”, comenta.

Para Kerr, doutor em Ciências da Comunicação, o cinema não é só um dos temas do filme, ele passa a ser um agente histórico. “Funcionando como esses espaços de memória”, fala.

Para o professor esse salto de qualidade do cinema nacional é um estímulo não só para os alunos, mas para os professores da área também. “É mais força para toda a cadeia. Seja para os alunos, seja para o que produz. As pessoas se vêem muito ali, nessa possibilidade”, argumenta.

Sobre o filme

Ambientado no Brasil de 1977, em pleno período da ditadura militar, O agente secreto acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna de São Paulo ao Recife tentando escapar de um passado misterioso. Durante a semana de Carnaval, o que deveria ser um refúgio transforma-se em um cenário de tensão.

O longa é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films), com distribuição nacional da Vitrine Filmes e internacional da Neon. Para quem ainda não assistiu, o longa está em exibição no Cineflix Pelotas, na sala 3, às 21h, pelo menos até quarta-feira.

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