“Reconheço os que pavimentaram o asfalto que estou desfrutando hoje e que outras pessoas também vão desfrutar”

Abre aspas

“Reconheço os que pavimentaram o asfalto que estou desfrutando hoje e que outras pessoas também vão desfrutar”

DJ MichaCNR - DJ e Beatmaker

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“Reconheço os que pavimentaram o asfalto que estou desfrutando hoje e que outras pessoas também vão desfrutar”
(Foto: Divulgação)

Natural de Rio Grande, mas abraçado por Pelotas, Michael (conhecido como DJ Micha) é um dos principais nomes da região quando o assunto é hip hop. Adaptando seus sets e conquistando públicos de todos os gostos e faixas etárias, Micha descobriu a paixão pelo movimento hip hop e a cultura de rua através do grafite e skate. Em 2000 teve seus primeiros contatos com a arte dos toca-discos e, desde então, o artista vem construindo-se como um dos DJs mais respeitados do sul do Brasil, tendo participado de diversos shows nacionais dentro e fora das suas vertentes.

Em julho de 2023, durante a sessão solene de aniversário da cidade, DJ Micha recebeu o título de cidadão pelotense na Câmara de Vereadores. O ato reconheceu a relevância do artista no cenário nacional e, principalmente, a sua contribuição para a expansão do hip hop em Pelotas e na cultura regional.

Como começou a história com a música e com a cultura hip hop?

Quando eu era criança, mandei uma carta para o cartunista Wagner Passos, eu fazia caricatura e queria estar do lado do pessoal que fazia arte. Ele me respondeu, eles tinham em Rio Grande o Vagão do Humor que era um projeto que reunia vários cartunistas, então eu passei a frequentar o movimento deles como cartunista, fui conhecendo os grafites e eles me levaram para a cultura hip hop. Nessa época, tinha um festival no Cassino que se chamava Rap Point, onde todos os grupos do Rio Grande do Sul se encontravam na praia. Era uma referência para o Estado, porque era transmitido pela TVE e ali eu encontrava todos os artistas de Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas, foi quando eu comecei a conhecer a galera das outras cidades e a fazer essa conexão.

Em que momento tua trajetória se entrelaça com Pelotas?

Eu estava morando em Rio Grande ainda com foco em outros trabalhos como servente e ajudante, mas já tinha a ambição de querer viver da música. Então, em 2007, eu recebi a proposta de vir para Pelotas fazer parte do grupo A Banca CNR, do qual o Zudizilla fazia parte, Guido CNR, e, através dessa conexão eu comecei a vir para cá, vinha na sexta e voltava na segunda para Rio Grande porque tinha que trabalhar, e fui me apaixonando pela região, fui vendo a evolução da galera daqui, tanto no modo de se vestir, quanto musicalmente, já tinham Home Studio o que naquela época era muito difícil de ter. Uma das coisas que eu paro para pensar hoje que me conectou com o pessoal daqui, é que eu já tinha uma certa evolução em equipamentos e ideias e, quando eu encontrei a galera aqui que já estava bem evoluída, aí a coisa se encaixou.

Quando a música passou a virar tua fonte de renda?

Depois de 15 anos do meu primeiro show de rap, que foi o do Racionais no União Fabril em Rio Grande, eu precisava ser remunerado com a música, encontrei pessoas maravilhosas que falaram “cara, tu gosta muito, tu entende muito, está na hora disso virar uma renda para ti” e então eu abri uma festa que se chamava “DJ Micha Convida” no Galpão, e quando começou a tomar uma proporção legal, trouxemos o KL Jay. Ele se apaixonou por Pelotas e se tornou mais do que uma referência para mim como DJ, mas uma referência como pessoa.

Como foi receber o título de cidadão pelotense?

Foi um momento muito especial, também fui com pessoas muito especiais para mim, o Guido, o Davi, fiquei muito emocionado e eu já me sentia abraçado antes disso também, mas é legal ter ali a plaquinha materializando esse carinho, poder mostrar para os outros. Eu me considero uma peça desse quebra-cabeça, tem pessoas que fizeram muito mais com muito menos. Faço parte dessa construção, procuro ter pé no chão também em relação a isso, reconheço as pessoas que pavimentaram esse asfalto que eu estou desfrutando hoje e que outras pessoas também vão desfrutar. Fico muito feliz de ter essa confiança, esse carinho. Quando toquei na virada do ano, pude ter contato com uma galera de diferentes estilos, é gratificante ver o resultado do trabalho que a gente vai se doando tanto.

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