Porto de Rio Grande deverá ter ano de consolidação de investimentos e expansão

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Porto de Rio Grande deverá ter ano de consolidação de investimentos e expansão

Após um 2025 de grandes anúncios para o setor, atividade portuária rio-grandina deve ser alavancada neste ano

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Porto de Rio Grande deverá ter ano de consolidação de investimentos e expansão
(Foto: Jô Folha)

Os portos gaúchos registraram a maior movimentação de cargas, desde 2021, superando os 42 milhões de toneladas entre janeiro e novembro do ano passado. Neste montante, o Porto de Rio Grande foi responsável por 96% deste volume. Os números evidenciam o desempenho do terminal, mesmo diante de um cenário global marcado por adversidades climáticas, instabilidade comercial e variações de mercado. Além disso, 2025 foi um ano de grandes anúncios para o complexo portuário, com garantias de retomada do polo naval rio-grandino e a expectativa de um 2026 de consolidação.

Além da construção de quatro navios do tipo Handy e de cinco gaseiros no Estaleiro Rio Grande, o anúncio de um novo terminal para exportação de celulose, as novas delimitações da poligonal do porto organizado e o maior investimento em dragagem já realizado pelo governo estadual na história, foram pontos em destaque e que devem ganhar novos contornos neste ano.

Após o período das enchentes de 2024, que devastaram o Rio Grande do Sul, a necessidade de desassoreamento de rios e lagoas ganhou espaço primordial nas discussões entre as entidades gaúchas. O Porto de Rio Grande, por onde boa parte das águas passaram em seu caminho de escoamento até o oceano, também enfatizou a necessidade das obras de dragagem para a ampliação do seu calado e, assim, garantir a competitividade e a atração, tanto de investimentos, como do seu potencial de exportação.

Em outubro do ano passado, o governador Eduardo Leite (PSD) cumpriu agenda em Rio Grande onde anunciou o investimento de R$ 437 milhões, para a remoção de 12,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos oriundos das enchentes apenas no município. Os recursos são provenientes do Funrigs, fundo criado para enfrentar os impactos sociais, econômicos e ambientais causados pelo evento extremo e integram o Plano Rio Grande.

Dentro dos 15 meses de contrato, a expectativa é de que o total de sedimentos retirados ultrapasse 15 milhões de metros cúbicos.

Dragagem

De acordo com o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, a parceria com o governo do Estado foi de extrema importância para a elaboração de projetos e a submissão ao comitê gestor do Funrigs. Ainda segundo ele, a obra de dragagem está em execução com, aproximadamente, 30% concluída e o cronograma deverá estender-se até outubro deste ano.

Há ainda, aproximadamente, R$ 250 milhões que serão destinados para as dragagens na navegação do interior da região, que são os contratos que abrangem o canal do Itapoã (concluída), canal do Leitão, Pedras Brancas, Barra do São Gonçalo e Furadinho (concluídas), canal da Feitoria (em execução). Além disso, estão em processo licitatório dois lotes de mais 11 canais a serem dragados.

Terminal Portuário de R$ 1,5 bilhão

Em dezembro, A CMPC Celulose e a Neltume Ports uniram forças para implantar um terminal dedicado à movimentação de carga geral, com foco na celulose, no Porto do Rio Grande.

O projeto prevê a construção de dois berços de atracação para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose, ampliando de forma significativa a capacidade logística do Porto do Rio Grande.

Os investimentos somam R$ 1,5 bilhão e a expectativa é que, durante a fase de implantação, sejam gerados mais de 1.200 empregos. Na fase operacional, o terminal deverá criar cerca de 450 empregos diretos e mais de 2.100 empregos indiretos, incluindo trabalhadores avulsos e caminhoneiros.

Na avaliação de Klinger, a nova operação vai beneficiar toda a região. “Esses investimentos são muito bem vindos, porque vem fomentando cada vez mais o nosso complexo portuário na sua multiplicidade de cargas”, destaca o presidente.

Os próximos passos incluem a Cessão de Uso do terreno, atualmente em tramitação junto à Superintendência do Patrimônio da União (SPU). Na sequência, estão previstas a realização de audiência pública e a obtenção da Licença Prévia e da Licença de Instalação pela Fepam.

Construção de Navios

Como uma das grandes expectativas para a retomada do polo naval rio-grandino, a construção dos quatro navios da classe Handy tende a ser a principal atividade a ser alavancada na região neste ano. Em relação a esse importante investimento, o diretor operacional da Ecovix, destaca que os contratos já estão em execução, com eficácia comprovada pela empresa desde setembro do ano passado. “Estamos em uma fase de engenharia e o Estaleiro está sendo preparado para este contrato”, afirma.

Quanto às contratações, Ricardo projeta que em março a mão de obra direta deva ser chamada. Questionado sobre a preferência por contratar trabalhadores da região, ele destaca que é uma das prioridades da empresa, até mesmo pelo menor custo e logística. No entanto, ressalta a importância de que haja a qualificação destes profissionais para as funções exigidas, pois não há tempo ou recursos para investir em capacitação.

Outro projeto em destaque é a construção de navios gaseiros, após a empresa vencer o processo licitatório da Transpetro para este fim. Os contratos para estas obras deverão ser assinados até o final do mês, com a expectativa da vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região.

2026 é o ano do Porto de Rio Grande?

O presidente da autoridade portuária destaca que será o ano do complexo portuário como um todo, em especial a perspectiva do porto rio-grandino. “A partir de todos os investimentos que a gente vem fazendo, é um ano diferenciado, com as entregas destas obras, em que podemos garantir a continuidade dos projetos e, tudo o que estamos fazendo é para dar esta garantia aos novos investidores e todos que olham para o nosso porto de forma diferenciada”, projeta Klinger.

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