Bloqueio por GPS e distração ao rádio antecederam tragédia da BR-116

Relatório da Ecovias Sul

Bloqueio por GPS e distração ao rádio antecederam tragédia da BR-116

Colisão frontal matou 11 pessoas de um ônibus após carreta invadir a contramão no km 491, na última sexta-feira (2)

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Atualizado domingo,
04 de Janeiro de 2026 às 16:10

Bloqueio por GPS e distração ao rádio antecederam tragédia da BR-116
Instantes antes do acidente, caminhão carregado com areia invade a pista contrária. (Foto: Divulgação - Ecovias Sul)

Um bloqueio eletrônico por rastreador em um caminhão parado sobre a pista e a distração do motorista de uma carreta, que manuseava o rádio e não percebeu a formação de congestionamento, estão entre os fatores que antecederam o grave acidente que deixou 11 mortos e ao menos 12 feridos na manhã da última sexta-feira (2), no km 491 da BR-116, em Pelotas.

A colisão frontal envolveu uma carreta carregada com areia e um ônibus de linha da empresa Santa Silvana, que seguia no sentido norte da rodovia, em direção a São Lourenço do Sul. O acidente ocorreu por volta das 11h24min, em um trecho de pista simples, em área de obras de alteamento da ponte sobre o Arroio Corrientes.

Conforme a apuração concluída pela concessionária Ecovias Sul na manhã deste domingo (4), o caminhão inicialmente apontado como estando em pane mecânica, na verdade, teve o veículo bloqueado eletronicamente pelo sistema de rastreamento via GPS, ficando imobilizado sobre a faixa de rolamento.

Com o caminhão parado, começou a se formar uma fila de veículos na rodovia. Equipes da Ecovias Sul foram acionadas e já realizavam o atendimento e a sinalização do local quando a carreta carregada com areia, que trafegava em direção a Pelotas, não conseguiu frear a tempo.

Distração pelo rádio

O relato do próprio condutor, resgatado com vida e consciente, é citado no relatório da concessionária. Segundo a nota, ele manuseava o rádio do veículo e não percebeu a redução da velocidade do tráfego à frente. Na tentativa de desviar, invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente com o ônibus.

O impacto foi violento. A carga de areia se espalhou dentro do coletivo, soterrando parte da estrutura e algumas das vítimas, o que dificultou significativamente o trabalho de resgate. Equipes do Instituto-Geral de Perícias (IGP) localizaram vítimas também durante a remoção dos destroços ao longo da tarde.

Vítimas

No ônibus, o motorista e o cobrador estão entre os mortos. Ao todo, 11 pessoas morreram no local. Outras 12 ficaram feridas e foram encaminhadas ao Pronto Socorro de Pelotas em diferentes estágios de gravidade. Cinco ocupantes não precisaram de remoção. O ônibus havia saído de Pelotas por volta das 10h30min e realizava uma linha regular, com paradas ao longo do trajeto até São Lourenço do Sul.

Atendimento ao acidente

O atendimento à ocorrência mobilizou uma grande estrutura e se estendeu por mais de dez horas. Segundo a Ecovias Sul, os trabalhos iniciaram às 11h25min e foram encerrados somente às 22h15min. Ao todo, 17 veículos da concessionária foram utilizados, entre ambulâncias, guinchos leves e pesados, retroescavadeira e viaturas de inspeção e operacionais. Também atuaram ambulâncias dos municípios de Pelotas, Turuçu e São Lourenço do Sul, além do Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Brigada Militar.

Soterramento foi um desafio

Um dos pontos mais críticos do resgate foi o soterramento causado pela areia. Três mulheres ficaram em situação extremamente delicada, com o corpo coberto pelo material e apenas a cabeça exposta. Em um dos casos, a vítima também estava com as pernas presas às ferragens. A retirada exigiu trabalho manual, sem uso de ferramentas, para evitar agravamento dos ferimentos, e durou cerca de três horas.

Segurança durante a operação

Com a colisão, o ônibus ficou próximo de um talude. Dois guinchos pesados permaneceram juntos ao veículo durante todo o resgate, garantindo a estabilidade da estrutura e a segurança dos profissionais e das vítimas presas com vida. A rodovia permaneceu totalmente bloqueada durante grande parte do dia, provocando congestionamentos de até oito quilômetros.

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