Morre o charqueador Manoel Bento da Fontoura, irmão de José Maria da Fontoura

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Morre o charqueador Manoel Bento da Fontoura, irmão de José Maria da Fontoura

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Há 130 anos

O 7 de julho de 1896, quando Pelotas completou 84 anos, marcou também a morte de Manoel Bento da Fontoura, aos 87 anos. O empreendedor, junto com o irmão mais novo José Maria da Fontoura, era proprietário da firma de José Maria da Fontoura & Irmão, que administrava, na época, a bem-sucedida Charqueada dos Fontoura.

O empreendimento ficava na margem esquerda do Arroio de Pelotas, onde é hoje o Clube de Caça e Pesca. As terras dos irmãos haviam sido parte da Fazenda de Pelotas, vendidas a Antonio José Rodrigues. Posteriormente, herdadas por José Bento e sua mulher Rosa Angélica Bento, filha de Domingos de Castro Antiqueira, o Visconde de Jaguari, um influente cidadão e potente charqueador de Pelotas no século 19.

O casal vendeu-as à firma de José Maria da Fontoura & Irmão pela quantia de seis contos de réis, em escritura passada no município de Rio Grande, em 31 de janeiro de 1856, há 170 anos.

De família nobre portuguesa

Manoel e José Maria eram filhos de dona Maria Regina da Fontoura, da nobre ascendência dos Fontouras de Portugal, e do lisboeta João Duarte Machado, proprietários da Fazenda de Nossa Senhora dos Prazeres das Pelotas ou, simplesmente, Fazenda de Pelotas. José Maria faleceu em 1902, aos 90 anos, no então “Passo do Fontoura”, o ponto mais estreito do arroio, propício à travessia das históricas “pelotas” de couro que batizaram o município. Por mais de 40 anos, o Passo serviu à Estância do Laranjal com uma balsa apelidada de “ferro de engomar”.

De personalidade forte, condecorado pelo Imperador Dom Pedro II em 1846 como Cavaleiro da Ordem de Cristo, José Maria, já surdo na velhice e alheio aos rumores da nova era industrial, profetizava: “Está tudo perdido”. Não a memória que hoje resgatamos.

Pinto Martins foi precursor

Desde cerca de 1780, quando José Pinto Martins estabeleceu a primeira charqueada na região, o charque começou a tomar grande importância na economia da futura Freguesia de São Francisco de Paula, estabelecida em 7 de julho de 1812.

Pinto Martins veio do Ceará, onde sua família possuía oficinas de carne-do-sol. O industrial se estabeleceu à margem direita do Arroio Pelotas, dando início a uma verdadeira “revolução econômica” no Rio Grande do Sul.

O sucesso no empreendimento fez crescer rapidamente o número dos salgadeiros, até o final do século 19, a região abrigava cerca de 40 charqueadas, a maioria delas ao longo do Arroio Pelotas, mas também haviam indústrias do charque às margens dos arroios Santa Bárbara, Fragata, Moreira e do Canal de São Gonçalo.

As charqueadas eram sustentadas pelo trabalho braçal de escravos africanos e, depois, afro-brasileiros. Estima-se que cerca de dois mil escravizados trabalhavam somente no núcleo do processo industrial do charque, em Pelotas, com uma média de 80 cativos por estabelecimento, no século 19.

Fontes: Dicionário de História de Pelotas, organizado por Beatriz Loner, Lorena Gill e Mario Osorio Magalhães; Nossa cidade era assim, de Heloisa Assumpção Nascimento

Há 50 anos

A Noite em que a Ospa encantou o Theatro Guarany

(Foto: Reprodução)

No dia 3 de julho de 1976, durante as celebrações da Semana de Pelotas. Naquela noite, o imponente Theatro Guarany abriu suas portas para o 17º Concerto Extraordinário da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), uma promoção conjunta da Prefeitura Municipal e da Faculdade de Odontologia.

Sob a regência do maestro Arlindo Teixeira, a sinfônica brindou o público com um programa primoroso. A primeira parte da noite trouxe a energia de Congada, de Francisco Mignone, seguida por um momento histórico: a execução do Morceau de Concert, de Saint-Saëns. A obra marcou a primeira audição do gênero no país, brilhantemente executada pela solista uruguaia Amália Maresca. Natural de Montevidéu e com sólida carreira internacional, Maresca encantou a plateia com a delicadeza de sua harpa.

A segunda metade do concerto foi dedicada à grandiosidade da Sinfonia nº 4, de Brahms. Uma noite de gala inesquecível, eternizada na memória dos pelotenses que lotaram o Guarani para celebrar o aniversário da cidade através da grande música.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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