Há 25 anos
Em julho de 2001, uma parte importantíssima da história das artes plásticas de Pelotas ganhava as paredes do prestigiado Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), em Porto Alegre. Pela primeira vez, a principal instituição museológica do Estado acolhia uma exposição dedicada exclusivamente ao acervo de Leopoldo Gotuzzo, sob a curadoria atenta de Nicola Caringi, então diretor do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg/UFPel).
A mostra na Pinacoteca do Margs, que se estendeu até 12 de agosto de 2001, reuniu um conjunto altamente significativo de pinturas a óleo e desenhos do mestre pelotense. Tratava-se do início de um projeto itinerante de fôlego, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura. A proposta foi realizada em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que posteriormente levou as obras a Bagé, Santa Maria e Caxias do Sul.
De estilo clássico e técnica refinada, Gotuzzo é um dos maiores orgulhos de Pelotas. Ele pertenceu à ala de pintores que optou por não se engajar no Movimento Modernista deflagrado pela Semana de Arte Moderna de 1922. Em vez disso, permaneceu fiel à escola academicista, iniciada em Pelotas por Frederico Trebbi.
Essa bagagem foi consolidada em um longo período de estudos na Europa, onde o artista absorveu as influências de centros efervescentes na Espanha, Itália e França. O reconhecimento foi estrondoso: entre 1915 e 1925, Gotuzzo consolidou-se como o pintor gaúcho mais premiado em nível nacional.
Doação em vida
As obras que deslumbraram o público na capital em 2001 começaram a ser reunidas décadas antes, graças à generosidade do próprio pintor. Em 1956, Gotuzzo, que vivia no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, desde 1918 , doou seus primeiros trabalhos à Pinacoteca da então Escola de Belas Artes (EBA). Mais tarde, ele fez uma promessa à professora Luciana Reis, primeira diretora do Malg: doaria todo o seu acervo pessoal, composto por mais de 100 telas, para Pelotas. A promessa foi integralmente cumprida.
Leopoldo Gotuzzo faleceu em 1983, aos 96 anos, três anos antes da inauguração do Museu que hoje orgulhosamente carrega o seu nome. Atualmente no endereço da praça Sete de Julho, 180, o Malg preserva a memória de um dos pincéis mais brilhantes do Rio Grande do Sul.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense
Há 214 anos
A fé católica está na história de 214 anos da Princesa do Sul

A criação de uma paróquia foi o impulso para se oficializar a Freguesia de São Francisco de Paula (Foto: Reprodução)
Hoje, 7 de julho, Pelotas celebra seus 214 anos de história. Além de festejar o presente da “Princesa do Sul”, a data convida a um resgate da certidão de nascimento do município: o alvará de 7 de julho de 1812, que oficializou a Freguesia de São Francisco de Paula. Como era costume no período luso-brasileiro, a urbanização começou a partir de uma capela.
Em 1784, o vigário de Rio Grande, padre Pedro Pereira de Mesquita, manifestou o desejo de dividir sua vasta paróquia. Anos depois, em 1810, seu sobrinho, o padre Felício, levou à Corte o pedido de criação da nova freguesia. A justificativa era econômica e prática: a região já contava com mais de 150 famílias abastadas, pujantes charqueadas e os moradores enfrentavam enorme dificuldade para ir até Rio Grande durante a Quaresma, período que coincidia com a intensa matança do gado.
Diante da disputa de três proprietários locais para urbanizar suas terras, o padre Felício e o capitão Antônio Francisco dos Anjos, amigos de longa data vindos da Colônia do Sacramento, anteciparam-se. Em um antigo potreiro de charqueada comprado pelo capitão, iniciaram a construção da igreja e da casa do vigário, acelerando a fundação da cidade.
Em 1815, o piloto Maurício Inácio da Silveira realizou o levantamento da área. Demonstrando erudição técnica, Silveira desenhou uma malha de ruas que desafiou as antigas divisões rurais. Ele planejou uma quebra cirúrgica no traçado das vias para que a perspectiva de quem caminhasse por ali terminasse exatamente na porta principal da igreja, que trazia um cemitério em seus fundos.
Ao norte, o piloto projetou o Passeio Público (atual avenida Bento Gonçalves), delimitando as terras do capitão com um conceito urbanístico moderno e de inspiração renascentista. Dali, o reticulado expandiu-se vagarosamente até o porto, nas várzeas do Canal São Gonçalo.
O cognome poético
Com o crescimento impulsionado pela opulência e pela cultura, Pelotas ganhou um epíteto definitivo: “Princesa do Sul”. Embora a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros aponte que o termo surgiu em 1863, em um poema do estudante Antônio Soares da Silva publicado em São Paulo (“te aclama princesa dos campos do Sul”), historiadores contestam o pioneirismo da folha literária. Defende-se que um título de tamanha força popular já estava consagrado no imaginário social da época, e o poema apenas referendou o orgulho que os próprios pelotenses já ostentavam.
Fonte: Dicionário de História de Pelotas, organizado por Beatriz Loner, Lorena Gill e Mario Osorio Magalhães