Dezesseis anos depois, Pelotas volta a respirar cultura em seu principal palco público. O Theatro Sete de Abril enfim reabre hoje, pronto para tentar recuperar o tempo perdido de uma década e meia de silêncio. Há toda uma nova geração de artistas e pessoas prontos para viver novamente a beleza de se encantar e emocionar com a arte, algo tão caro para uma região que alegra-se de ser um polo cultural.
Mas o dia é também de reflexão. A reabertura, por óbvio, traz o asterisco da incompetência que nos levou a tantos anos de portas fechadas. Não há argumento que sustente um patrimônio público do calibre do Sete de Abril fechado, sobretudo diante do nosso perfil de cidade. A cada dia que passou, desde 2010, nós jogamos fora a chance de promover nossos talentos artísticos, de formar novos consumidores de cultura e de reforçar nossa identidade. Deve servir de exemplo para todas as outras obras que seguem travadas e desperdiçam não só recursos públicos, mas a possibilidade de garantir oportunidades à comunidade.
O Sete de Abril reaberto e funcionando a pleno, tem a capacidade de ser uma virada de chave para a cultura pelotense. Se o dia hoje abre com Vitor Ramil e os próximos seguirão com Tholl e outros grandes nomes, certamente o próximo grande artista pelotense começará por ali seus passos. E, sem dúvidas, hoje na plateia corações serão tocados pela arte e vidas serão mudadas pelo impacto que ela traz. Um teatro é fundamental para o desenvolvimento humano, social e emocional dos indivíduos que o frequentam e, por consequência, da sociedade. Ele muda vidas e Pelotas volta a ter uma ferramenta perfeita para isso.
Que o Sete seja frequentado por todos os pelotenses, esteja aberto às escolas e, a partir de hoje, cumpra seu papel social sem mais interrupções. Pelotas volta a ganhar um pedaço que estava adormecido em sua alma. Que nunca mais o perca e que o poder público saiba trabalhar com esse ativo com o respeito e atenção que ele merece ter!
