Após mais de dois anos da sua interrupção, a ponte Wilson Mattos Branco, que faz a ligação à seco entre a localidade da Ilha dos Marinheiros e o centro de Rio Grande, já tem prazos para o encaminhamento da recuperação da estrutura. A empresa vencedora do processo licitatório foi a Sulcredi Construção Ltda e terá dois meses para apresentar os projetos da ponte e seis meses para a execução da obra. Sendo assim, a expectativa é que a reconstrução seja finalizada em março.
A obra foi licitada em pouco mais de R$ 2,8 milhões e deve iniciar em setembro deste ano. A licitação que definiu a empresa vencedora é na modalidade integrada, ou seja, um regime de contratação onde a mesma empresa é responsável por elaborar os projetos e executar a obra ou serviços de engenharia. A opção é para, segundo o executivo rio-grandino, favorecer a maior celeridade na execução da obra.
A estrutura sofreu avarias causadas pela força das águas durante a enchente de maio de 2024. Com isso, a travessia por terra dos cerca de 1,5 mil moradores do interior do município ficou comprometida, sendo ofertado o serviço de balsas para o deslocamento.
A prefeitura de Rio Grande afirma que, desde janeiro do ano passado, atua para recuperar totalmente a estrutura danificada. O processo de reconstrução está em sua terceira etapa e a administração busca minimizar os impactos para a comunidade da Ilha dos Marinheiros durante a realização da obra.
Até a próxima semana, membros da prefeitura e da empresa vencedora da licitação devem se reunir com os moradores da Ilha dos Marinheiros para que sejam explicadas todas as etapas do processo até o final da obra.
Projeto
O Gabinete de Programas e Projetos Especiais (GPPE) elaborou um anteprojeto para a ponte Wilson Mattos Branco, que prevê a instalação de novos pilares, recuperação das mesas e fundação, elevação de estruturas, reparo de consoles e guarda-corpos, além da realização de testes e laudos técnicos finais.
No entanto, de acordo com a secretária do GPPE, Giovana Trindade, a empresa pode seguir o projeto elaborado pelo executivo ou apresentar uma outra proposta, principalmente porque serão feitos novos estudos na ponte, como novas batimetrias, pela vencedora do processo licitatório. “Por se tratar de uma obra complexa, achamos mais prudente que a empresa tivesse a liberdade de apresentar uma proposta diferente, pois a empresa contratada tem mais expertise em obras de arte [projetos de pontes]”, diz.
Obra
A proposta apresentada pelo município prevê a construção de dois novos pilares ao lado do pilar que cedeu, com a concretagem de ambos, sendo que esses dois novos pilares serão mais profundos do que os pilares originais da ponte. Prevê, também, o macaqueamento das duas vigas que cederam, por estarem apoiadas no pilar resistente que cedeu. Além disso, segundo Giovana, haverá a construção de uma viga que vai ligar esses dois pilares novos e que se apoiará no pilar resistente, trazendo a ponte para a sua curvatura original.
Interrupção de tráfego
Um dos fatores que mais gerou desgaste e motivou protestos feitos pelos moradores da localidade foi a travessia de balsa. Em primeiro momento, ela foi realizada por uma estrutura emergencial montada pelo Exército Brasileiro. Após o fim do período de contribuição das equipes, a prefeitura de Rio Grande disponibilizou uma estrutura que operava em horários reduzidos, de acordo com os moradores, o que dificultava o deslocamento.
Com a maior disponibilidade de horários para travessia, a balsa operou transportando moradores até agosto do ano passado, quando os testes feitos pela equipe de engenharia apontaram que a ponte estava estabilizada e, assim, o trânsito na estrutura foi liberado.
Para a realização da obra final de reestruturação da ponte, a balsa deve ser novamente utilizada.
O secretário de Relações Institucionais e Comunitárias da Prefeitura Municipal, Cláudio Costa, afirma que uma nova empresa foi contratada, após processo licitatório, para o serviço de balsa. A selecionada foi a empresa Norte Mar Navegação e Turismo, não é a mesma que operava a embarcação no ano passado e ofertará o serviço após o início efetivo da obra, projetado para meados de setembro ou outubro.
“Dessa vez, diferente do outro momento, a ponte está estabilizada, portanto, a gente vai ter períodos muito menores de interrupção, mesmo com obra. Por exemplo, a noite ela [ponte] vai estar liberada, assim como durante os dias também que não estiverem operando na ponte”, garante o secretário.
