Inatividade física afeta 80% dos adolescentes ao redor do mundo

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Inatividade física afeta 80% dos adolescentes ao redor do mundo

Apesar do salto em busca de melhor qualidade de vida nos últimos anos, um terço dos adultos é sedentário

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Inatividade física afeta 80% dos adolescentes ao redor do mundo
Segundo especialistas, a prática regular de atividades físicas deve ser incentivada desde a infância (Foto: Jô Folha)

A falta de atividade física é considerada por especialistas uma das maiores ameaças silenciosas à saúde pública mundial. Dados apresentados pelo educador físico e epidemiologista Pedro Hallal, em entrevista à rádio Pelotense, mostram que quatro em cada cinco adolescentes no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física, enquanto cerca de um terço da população adulta permanece inativa.

Além da alta prevalência, o sedentarismo está associado a aproximadamente cinco milhões de mortes por ano em todo o planeta. Há mais de 25 anos estudando o tema, o pesquisador defende que a inatividade física deve ser tratada como uma pandemia silenciosa, já que seus impactos são amplos e persistentes, embora muitas vezes passem despercebidos pela população. “Estamos lidando com um fator extremamente grave e que parece não receber a devida atenção”, afirma Hallal.

A prática de atividades físicas traz benefícios que, apesar de massivamente divulgados, ainda não são conhecidos por uma grande parcela da população que permanece sedentária por fatores que esbarram no cotidiano e em questões socioeconômicas mais profundas. Por isso, o fomento da atividade física desde os primeiros anos de vida escolar e a melhoria da infraestrutura urbana, para impulsionar a prática de esportes ao ar livre, são caminhos possíveis para reverter o quadro da inatividade.

Longevidade

Hallal afirma que, entre todos os grupos populacionais, os idosos são os que apresentam os benefícios mais rápidos quando passam a praticar exercícios regularmente. Segundo o pesquisador, além de ser a faixa etária que mais cresce no Brasil e no mundo, é também aquela que mais ganha em qualidade de vida com a adoção de hábitos ativos.
Enquanto em pessoas mais jovens os resultados podem levar mais tempo para aparecer, nos idosos os ganhos em equilíbrio, autonomia, mobilidade e bem-estar costumam ser percebidos em um período menor. “Eles vão melhorar não só o número de anos que vão viver, mas especialmente a qualidade desses anos”, afirma.

Saúde

Os benefícios da atividade física já são amplamente conhecidos na prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e hipertensão. Nos últimos anos, porém, novas pesquisas ampliaram a lista de impactos positivos sobre diferentes condições de saúde.

Um dos exemplos é um estudo desenvolvido em Pelotas pelo médico nefrologista Franklin Barcelos, que demonstrou que pessoas fisicamente ativas conseguem retardar a evolução da doença renal e melhorar a qualidade de vida, reduzindo inclusive a progressão para tratamentos como a hemodiálise.

A atividade física também vem sendo associada à prevenção de transtornos mentais. “Pessoas ativas têm menos risco de depressão, menos ansiedade, menos crises de pânico e outros transtornos relacionados à saúde mental”, detalha.

Outra área que reúne evidências crescentes é a saúde cognitiva. Estudos apontam que pessoas ativas apresentam menor risco de desenvolver doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Além disso, Hallal destaca uma pesquisa que está sendo realizada na Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que mostra que pacientes sobreviventes de câncer, que mantêm uma rotina de exercícios, apresentam menor risco de que a doença retorne.

Hábitos

A prática de atividade física pode ser um comportamento construído desde a infância e fortalecido ao longo da vida. Experiências positivas nas aulas de Educação Física escolar aumentam significativamente as chances de uma pessoa permanecer ativa na vida adulta.

Desde os primeiros anos de vida é possível introduzir a atividade física no cotidiano das crianças. “Com dois anos a gente já consegue proporcionar atividades direcionadas e eficazes, tanto para o desenvolvimento motor, quanto para o cognitivo e social. Crianças que se exercitam com sentido e significado, tendem a se tornar ativas na adolescência, na fase adulta e, consequentemente, envelhecerem mais saudáveis”, defende a educadora física Nadine Madruga.

No contexto atual, de avanços tecnológicos, as multitelas têm impactado no desenvolvimento da nova geração e contribuem para o contexto da inatividade física, mencionado por Hallal. Nadine reforça que o exercício físico impacta também na socialização daquela criança, uma vez que oportuniza a saída da imersão nas telas para o contato com outros grupos. “A gente tem muitas crianças imersas em telas e sair delas vai fazer com que elas se desenvolvam, construam um repertório grande de movimentos e também tenha mais confiança para se inserir em novos grupos, brincadeiras e mais segura para entrar em novos ciclos de amizades”, destaca a educadora.

Medidas de fomento

Hallal defende que, além de reforçar a importância de se praticar exercícios físicos, a prática deve ser estimulada por meio de políticas públicas e ambientes favoráveis.

Um dos exemplos seriam as academias ao ar livre e o investimento em infraestrutura que agregue espaços de lazer e atividades físicas com segurança.

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