O desafio de reorganizar a sociedade

Editorial

O desafio de reorganizar a sociedade

O desafio de reorganizar a sociedade
(Foto: Jô Folha)

No último dia 1º a estatística silenciosamente virou: o Rio Grande do Sul passou a encolher, em termos populacionais, ao natural. Pode não parecer grandes coisas no momento, afinal essa tendência já vinha sendo observada há algum tempo. Mas significa, na prática, que precisaremos repensar muitos – se não todos – os âmbitos de nossa estrutura social. Pode parecer exagero, mas é verdade. Até aqui, nos organizamos dentro de uma lógica natural: tem sempre uma próxima geração para bancar a previdência, cuidar dos idosos e adentrar ao mercado de trabalho. Obviamente, não é uma extinção em massa e isso seguirá existindo, mas com a diferença de ser menor escala. Ou seja, tudo muda.

A previdência é o setor mais sensível para isso. Afinal, caminhamos para uma direção em que teremos mais idosos do que jovens produzindo. Ou seja, a conta não vai fechar e isso é um problemaço. Afinal, até aqui, sempre contamos com aquela matemática de que um paga hoje e recebe amanhã. Se, ali na frente, não houver gente o suficiente pagando, como faz? Os governos precisam debater isso, mas é mais um daqueles assuntos em que o sol é tapado com a peneira.

Outro setor delicado será a saúde. Afinal, pessoas mais velhas adoecem mais e custam mais caro para o sistema, seja ele público ou privado, áreas que hoje já vivem no aperto financeiro serão ainda mais demandadas. Historicamente, o próprio cuidar baseou-se na lógica de que, em famílias grandes, os filhos ou dividem-se, ou bancam um profissional. Mas diante de famílias cada vez menores, é outra conta que não fecha. Cuidar um idoso requer tempo ou dinheiro. Com só um filho, ou isso fica caro, ou demanda que deixe o mercado de trabalho. Você pode ter certeza, leitor: um dos debates futuros será a construção de “creches” para idosos.

Isso não é um alerta de caos, longe disso. É a natureza trabalhando e a sociedade mudando, como sempre foi. O problema é que a realidade já chegou, silenciosamente, e o tema do envelhecimento populacional ainda tem pouquíssimo espaço nos locais de tomada de decisão, que deveriam pensar o futuro mas ainda restringem-se em debater aleatoriedades.

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