A guerra por frituras e a paz mundial

Opinião

Helena Tomaschewski

Helena Tomaschewski

Estudante de Direito

A guerra por frituras e a paz mundial

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Essa semana um casal com máscaras subiu no topo do prédio Empire State, em Nova York, com uma faixa gigantesca escrito: “Quando o poder do amor vencer o amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz”. Quando eu digo topo do prédio, me refiro à torre em cima dele. Era literalmente o topo do prédio. De uma forma que a segurança não sabia como eles tinham conseguido.

O amor pelo poder só acontece pelo amor pelo dinheiro, pelo menos é o que eu imagino. As guerras só acontecem em função do dinheiro. Então, como faremos com essa linda mensagem no topo do mundo, além de admirá-la?

Meus pais sempre falaram que quando as pessoas são mais novas são mais revolucionárias e têm essa energia. Eu tenho essa energia, ou pelo menos achava que tinha.

No jogo do Brasil na Copa, segunda-feira, olhei em volta, todos felizes, se abraçando, sem distinção ou briga. E me peguei pensando: se essas duzentas pessoas conseguem ficar assim, por que o mundo não pode? É tão descomplicado, somos todos iguais.

Foi aí que veio o susto. Aos meus vinte e um anos, envelheci. Essa mensagem facilmente seria dita por alguém como meus pais.

Onde está a minha energia de lutar e só achar aquela frase no prédio “fofa”, e os que a carregam ignorantes politicamente, porque não, o mundo não é tão simples assim. Ou é? E é por isso que os mais velhos são sábios de se “desrevolucionarem”.

“É preguiça de carregar uma arma e lutar pelo “certo”? A paz mundial é possível? Eu não me identifico mais com meus amigos com tanta vontade de lutar por mais?”.

Nesse um minuto de pensamentos, esquentando minha cerveja superfaturada, saiu o gol do Martinelli contra o Japão. E eu o perdi. Bom, no final do jogo, o técnico do Japão foi até nossa torcida, nos abanou e agradeceu, me fazendo cada vez mais pensar na paz mundial – e ter um pensamento rápido de que não podia perder mais nenhum gol, apesar de já ter acabado o jogo.

Será que seria possível colocar nossos problemas à parte para o melhor de todos aqueles que não tem o poder de lutar por isso? Meus pensamentos foram interrompidos. O lugar estava lotado e fui empurrada por um menino grosseiro. Ele queria buscar seu pastel, enquanto eu buscava a minha polenta, e entramos numa discussão acalorada sobre nossas frituras. Imagina ter que conviver com gente assim. Nunca conseguiria. Enfim, acho que a paz mundial é possível.

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