Há 50 anos
Em julho de 1976, o hall do Grande Hotel de Pelotas abrigou uma mostra de um dos mais importantes artistas plásticos do século 20 em Pelotas. Sob a realização do Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o espaço recebeu uma exposição de Nesmaro. Ao todo, 43 telas, entre óleos e aquarelas, encantaram o público, exibindo uma rica pluralidade técnica e temática.
O grande destaque da mostra foi o quadro Morte de Cristo, que impressionava pela vivacidade das cores e pelo rigor dos detalhes. Segundo o pintor, essa foi uma obra complexa de ser executada. A exposição foi um verdadeiro passeio por diferentes movimentos artísticos, unindo o impressionismo, o abstracionismo, o realismo, o surrealismo, o clássico e o renascentista. Em suas aquarelas, imortalizou a arquitetura e a história regional, retratando ícones como a Igreja do Redentor.
Um mestre sem rótulos
Nascido em Montevidéu em 28 de fevereiro de 1917, Nestor Marques Rodrigues, que adotou o pseudônimo Nesmaro, era filho de pai brasileiro e mãe uruguaia, tendo se naturalizado brasileiro em 1959. Considerado a expressão máxima das artes visuais pelotenses na década de 1970, ele foi professor de pintura da Escola de Belas Artes.
Formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, Nesmaro acumulou passagens e exposições de destaque por Montevidéu e Buenos Aires antes de se fixar em Pelotas, em 1956. Definido por críticos como um pintor acadêmico e versátil, Nesmaro transitava pelo que chamava de “pseudo-impressionismo” e “pseudo-surrealismo”, mas rejeitava veementemente as amarras conceituais. “Minha obra não pode ser engavetada dentro de nenhuma escola”, disse. Nesmaro morreu em 22 de dezembro de 1981, aos 64 anos.
Fontes: Acervo BPP; História da Arte em Pelotas – A pintura de 1870 a 1980, de Úrsula Rosa da Silva e Maria Lúcia da Silva Loreto