Pesquisa aposta em proteína do arroz como alternativa à produção

Projeto

Pesquisa aposta em proteína do arroz como alternativa à produção

Estudo da Embrapii busca aproveitar o farelo para agregar valor ao cereal

Por

Por

Pesquisa aposta em proteína do arroz como alternativa à produção
Grupo irá realizar pesquisas com o cereal durante dois anos. (Foto: Divulgação)

Um projeto da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) em parceria com Sindicato da Indústria do Arroz de Pelotas (Sindapel) e a Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) quer transformar o farelo de arroz em proteína. Um estudo de dois anos, com o financiamento de aproximadamente R$ 1 milhão, por meio da unidade InovaAgro da UFPel, pode colocar Pelotas na vanguarda nacional das pesquisas sobre o tema.

Segundo o diretor da Faculdade de Agronomia da UFPel, Maurício Oliveira, a ideia é transformar o derivado, que hoje é destinado principalmente à produção de óleo e ração animal, em ingredientes de alto valor agregado para a indústria alimentícia, farmacêutica e de suplementos. Isso representa entre 8% a 10% do arroz beneficiado durante o processo industrial. “Hoje é basicamente óleo e ração. Você pega esse farelo, faz um pelletizado e bota na ração. É basicamente o que é feito hoje. Isso vale pouco”, afirma.

Projeto pioneiro no Brasil

Oliveira garante que não há nenhum estudo semelhante acontecendo em todo o país. A nível mundial, já existem iniciativas semelhantes nos Estados Unidos, China e Europa. A meta é elevar a maturidade tecnológica da pesquisa até um estágio próximo da aplicação industrial. “O Brasil hoje está em escala de laboratório. Não avançou além disso. Não tem nada semelhante ao que a gente tem feito e que a gente quer chegar.”

Além do conhecimento gerado, a universidade pretende deixar uma estrutura disponível para atender futuras demandas da indústria. Os recursos da pesquisa irão resultar na compra de equipamentos permanentes para montagem de um laboratório. “São equipamentos de cromatógrafos, liofilizadores e equipamentos industriais que permitem produzir proteína e avançar nesses processos. A gente precisa criar essa competência aqui em Pelotas.”

Ao final dos dois anos, a expectativa é entregar processos validados, estrutura laboratorial ampliada e profissionais capacitados. “Vai ser um projeto que vai causar um grande impacto para a região.”

Potencial para multiplicar valor agregado

Um dos principais atrativos do projeto é a possibilidade de multiplicar o valor econômico do material atualmente comercializado por preços baixos. “A gente sai de alguma coisa que vale 80 centavos o quilo para alguma coisa que fica de 200 a 400 reais o quilo”, avalia.

O projeto pretende desenvolver diferentes níveis de processamento: concentrados proteicos com cerca de 80% de proteína; isolados proteicos com mais de 95%; peptídeos bioativos, compostos formados por aminoácidos com potencial aplicação alimentar e farmacêutica. “A tendência é que ele tenha um valor muito maior que o próprio grão.”

Entre os produtos imaginados pelos pesquisadores estão suplementos similares ao whey protein; bebidas proteicas; barras de cereal; produtos análogos à carne; ingredientes para alimentos industrializados e compostos bioativos para aplicações farmacêuticas.

Otimização até a indústria

O projeto será dividido em três etapas durante os dois anos de pesquisa. Primeiro, a otimização dos processos no laboratório. A equipe vai adaptar metodologias já existentes à matéria-prima produzida na região. O segundo passo, será um aumento gradual como produção piloto para testes. “Em vez de sair de uma coisinha de gramas, começar a pensar em quilos, produzir 50, 100, 200 quilos.” A terceira fase é a aplicação da tecnologia em escala industrial. “A ideia é que a indústria possa botar esse produto no mercado.”

Resposta à crise do arroz

Para Maurício Oliveira, o projeto surge em um momento em que a cadeia produtiva enfrenta dificuldades econômicas recorrentes. A proposta é criar uma nova fonte de renda para a indústria sem substituir a produção tradicional de arroz. “A gente não enxerga nunca isso como algo que vai competir com o consumo de arroz. O foco é utilizar o que está sobrando da indústria do arroz hoje.”

Acompanhe
nossas
redes sociais