O Ministério do Turismo iniciou em 2021 o processo para adaptar a metodologia dos Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), criada na Espanha em 2012, à realidade brasileira. Ela prevê o desenvolvimento das cidades turísticas do país, com foco em destinos mais competitivos, atraentes e inovadores, com experiências agradáveis para visitantes e habitantes, ainda levando em consideração a importância da sustentabilidade, segurança e acessibilidade.
Em março, o ministério anunciou a criação de uma plataforma, em parceria com uma empresa de tecnologia, que tem o objetivo de apoiar os gestores públicos de todo o Brasil na avaliação do estágio de maturidade de seus destinos, na definição de prioridades e na estruturação de estratégias de qualificação e promoção do turismo.
A Secretaria de Turismo de Pelotas (Setur) afirma que o município participou, em 2023, de uma chamada pública do Ministério do Turismo para implementação da metodologia, com apoio de consultoria contratada pelo Sebrae. Na ocasião, em um processo que iria selecionar 10 destinos, Pelotas ficou como suplente na 13ª colocação. Desde então, não houve nova inscrição no edital.
No entanto, com o lançamento da nova plataforma voltada para os DTI’s, a equipe técnica da Setur está retomando o levantamento de informações para dar continuidade ao trabalho iniciado, com o objetivo de avançar na qualificação do destino. A partir disso, a cidade estará apta a acessar o autodiagnóstico e, então, guiar o planejamento das próximas ações.
Avaliação do setor
Depois de um período de instabilidades e incertezas, o cenário atual do turismo é de recuperação operacional e de retomada econômica do setor, o que amplia as possibilidades de novas formas de se fazer turismo.
O Sebrae é uma das entidades que trabalha neste sentido, há mais de 20 anos, e possui resultados significativos, como o exemplo do turismo na Costa Doce Gaúcha, onde foram mapeados mais de 250 pequenos negócios que trabalham com alguma atividade turística na região, número que pode triplicar, caso contabilizados os serviços de alimentação. A Gestora dos Projetos de Turismo do Sebrae, Jussara Argoud, destaca o trabalho técnico que vem sendo realizado. “Estamos fazendo a nossa parte, que é incentivar o desenvolvimento do turismo através dos pequenos negócios, e também damos apoio a gestão pública para que avance em políticas públicas. Porém, tudo que é planejado precisa ser executado”, afirma.
Na análise da gestora, Pelotas é o destino indutor do turismo na região, mas precisa se posicionar como tal. Uma das oportunidades é, segundo ela, a união em torno de enxergar o turismo como um setor de desenvolvimento econômico. “Acredito que as lideranças regionais precisam se unir e ter o mesmo propósito. Turismo gera renda, novos empregos por meio da entrada de dinheiro novo na região. Só com mais cooperação vamos avançar”, diz.
Sobre a situação dos DTI’s, Jussara afirma que Pelotas tem um diagnóstico, apresentado em outro momento, mas que precisa aplicar. “Nós somos a maior cidade da região e precisamos ser exemplo para as demais”, reforça.
O caminho a ser percorrido
Enquanto as informações são levantadas, a cidade segue colecionando boas ideias e projetos para o turismo, mas que encontram dificuldades para saírem do papel. O município conta com um Plano Municipal do Turismo, projetos como o Pelotas Criativa, e gestões focadas no fomento do setor, com festividades e datas comemorativas.
Para Suzete Chiviacowsky, empresária do ramo de hospedagem em Pelotas, falta a propaganda e a venda forte do produto turístico local como um todo pelo poder público, além da organização e acesso a esses produtos. Ela defende a ampliação dos horários de funcionamento dos locais de visitação em turnos inversos à jornada de trabalho e nos finais de semana. “É nesses dias que o turismo acontece, no mundo inteiro. Como trazer turistas para hospedagem em Pelotas se a maioria dos pontos turísticos não abrem para visitação nos fins de semana e feriados? Complicado”, defende.
