Esquerda se unifica no Rio Grande do Sul e Pretto desiste de candidatura

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Esquerda se unifica no Rio Grande do Sul e Pretto desiste de candidatura

Por

Acabou a novela. Depois de semanas de impasse entre a direção nacional do PT e o diretório estadual, a disputa interna da esquerda no Rio Grande do Sul chegou a um desfecho. Edegar Pretto desistiu da candidatura ao governo e passou a apoiar Juliana Brizola, do PDT. Com isso, foi formada uma coalizão que reúne partidos do campo da esquerda e centro-esquerda para viabilizar uma candidatura única ao Palácio Piratini.

Pretto esticou a disputa interna até onde pôde, porque havia sido escolhido como pré-candidato na estadual do partido. Mas a decisão nacional prevaleceu. A orientação veio da Executiva do PT, com influência direta do presidente Lula, que defendeu a construção de uma frente mais ampla no Estado. Na prática, isso significa que, depois de muitos anos, o PT não deve ter candidatura própria ao governo gaúcho e passa a integrar uma aliança liderada pelo PDT.

O desfecho reorganiza o cenário eleitoral. Até aqui, Pretto e Juliana apareciam como os dois principais nomes da esquerda nas pesquisas, disputando espaço para chegar ao segundo turno. Separados, tinham desempenhos relevantes. Agora, a dúvida passa a ser se essa soma se transfere para uma candidatura única. A expectativa se volta para os próximos levantamentos, que devem testar apenas o nome de Juliana Brizola.

Além de Juliana, o tabuleiro tem Coronel Zucco, do PL, à direita. No campo da atual gestão estadual, a alternativa é o vice-governador Gabriel Souza, apontado como sucessor de Eduardo Leite, que não pode disputar novamente o cargo.

A formalização do acordo PDT e PT deve ocorrer em ato público nesta sexta-feira pela manhã.

No plano local, o prefeito Fernando Marroni se manifestou após o recuo de Edegar Pretto e publicou uma mensagem de apoio, na qual elogiou a “maturidade” da decisão, dizendo que Pretto ajudou a “construir pontes” e vinculou a união da esquerda ao “enfrentamento da extrema direita no Estado e no país”.

PV x Podemos

A troca partidária do vereador Cauê Fuhro Souto, que se desfiliou do PV, partido pelo qual foi eleito, e se vinculou ao Podemos, provocou efeitos imediatos na Câmara e abriu uma discussão sobre as regras dessa mudança. A partir do momento em que Cauê deixou o partido, César Brisolara (PSB), seu vice na Comissão de Ética, anulou os atos do então presidente que estavam em curso no colegiado, que agora terão de ser refeitos. Ao mesmo tempo, a Câmara definiu que a própria Comissão de Ética e outras comissões presididas por Cauê precisarão passar por novas eleições.

Fica também uma dúvida legítima para o leitor. A janela partidária aberta neste ano não vale para vereadores eleitos em 2024 para o mandato de 2025 a 2028. Ou seja, o vereador não estava, em princípio, em um período liberado para trocar de partido. Para fazer essa mudança, ele precisaria estar em uma das hipóteses permitidas. Uma delas seria abrir mão do mandato, o que não aconteceu. Outra seria uma expulsão do partido, o que também não ocorreu. E uma terceira seria ter uma autorização que permitisse essa saída. O vereador afirma ter uma carta do diretório nacional do PV e também uma autorização do diretório estadual. No entanto, não há uma autorização do diretório local do partido, e é justamente isso que gera a dúvida.

Vale lembrar ainda que Cauê não se elegeu apenas pelo PV isoladamente, e sim pela Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB. Ou seja, os votos da federação serviram para eleger três cadeiras na Câmara de Vereadores de Pelotas. Dentro dessa composição, os eleitos foram Cauê, Ivan Duarte e Miriam Marroni. Por isso, no momento em que ele deixa o partido, também aparece o questionamento sobre os efeitos dessa saída dentro da federação pela qual foi eleito. Não há, neste momento, qualquer decisão judicial contra o mandato, e o vereador segue legislando normalmente pelo Podemos. Ainda assim, a mudança passou a ser observada com atenção pela Federação Brasil da Esperança e pelo PT local.

Neste cenário, o suplente imediato da federação é Ronaldo Quadrado, quarto mais votado dentro da composição. Até pouco tempo atrás, ele ocupava a Câmara na suplência de Miriam Marroni. Com o retorno da vereadora ao Legislativo, voltou à condição de suplente. O que a coluna apurou é que o PT e a liderança da federação estão avaliando o caso para entender exatamente o que era necessário para que um vereador pudesse sair do partido e, por consequência, da federação pela qual foi eleito. Na Justiça Eleitoral, Cauê já está desvinculado do PV e vinculado ao Podemos. O ponto que segue em análise é outro: se, fora da janela partidária para vereadores, a autorização apresentada era suficiente para sustentar essa mudança sem contestação futura.

Leite ministro?

O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, fez um gesto político público ao governador Eduardo Leite durante agenda na Fiergs. Ele afirmou que, se vencer a eleição de outubro, quer Leite na Esplanada dos Ministérios. A fala retomou o que já havia dito mais cedo, em reunião com lideranças do PSD no Palácio Piratini. Leite não participou desse encontro porque ficou retido em São Paulo em razão de problemas que atrasam voos.
Na sequência do evento, ao ser questionado sobre qual ministério seria oferecido ao governador gaúcho, Caiado evitou indicar uma pasta específica. Disse que seria indelicado fazer essa definição sem antes conversar com Leite, com quem pretendia se encontrar ao longo do dia. O episódio funcionou como um aceno político duplo: de um lado, valorizou o nome de Leite no cenário nacional, enquanto do outro, ajudou Caiado a se apresentar no Rio Grande do Sul cercado de interlocutores relevantes do campo da centro-direita.
Na palestra para empresários e dirigentes da indústria, Caiado procurou reforçar sua imagem de gestor experiente e de presidenciável com trânsito institucional. Fez críticas ao presidente Lula, à reforma tributária e ao modelo de escolha de ministros do STF, em uma linha parecida com a adotada por Romeu Zema, pré-candidato do Novo.

Acompanhe
nossas
redes sociais