A greve dos servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que completa duas semanas, pode provocar impactos no atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município. A situação foi abordada pelo comando local de greve da Associação dos Servidores da UFPel (Asufpel) durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, na sede da entidade.
Atualmente, a universidade participa da gestão de seis das mais de 50 UBS existentes em Pelotas. Segundo o comando de greve, esses serviços podem sofrer reflexos da paralisação, embora não haja interrupção total das atividades.
De acordo com a integrante do comando de greve Mara Beatriz Gomes, até o momento não houve diálogo por parte da Secretaria Municipal de Saúde para discutir a manutenção dos serviços. “Em nenhum momento a secretária de Saúde procurou o comando de greve para discutir sobre a essencialidade ou não desse serviço nas quatro UBS”, afirmou.
Nas unidades vinculadas à universidade – Areal, Areal Leste, Vila Municipal na Sanga Funda, Obelisco e Campus Capão do Leão, atuam profissionais como médicos, técnicos de enfermagem e nutricionistas. Ainda assim, os representantes da greve destacam que a força de trabalho nesses locais não é exclusiva da UFPel, já que há profissionais vinculados à prefeitura e a outros programas.
A enfermeira Renata Lemos, também integrante do comando de greve, explica que a paralisação segue regras que garantem a continuidade de serviços considerados essenciais. “A greve tem regras. O Pronto Atendimento e o Hospital vão seguir funcionando. Com algum impacto, mas mantendo o serviço”, disse.
Prefeitura remanejou profissionais para manter atendimentos
A Prefeitura diz que os atendimentos estão dentro da normalidade. O déficit de profissionais é de cerca de 25 técnico-administrativos da UFPel que foram substituídos por funcionários remanejados.
Em nota, o coordenador médico da atenção primária à saúde, João Alberto Dalla Vechia explica que “não houve desassistência, mas sim uma redução do quadro de funcionários, então a Prefeitura fez a reposição de alguns funcionários, principalmente enfermeiros e médicos”, explica.
Motivos da greve
Os servidores técnico-administrativos de mais da metade das associações sindicais ligadas a Federação de Sindicatos de trabalhadores técnico-administrativos em educação das instituições de ensino superior públicas do Brasil (Fasubra), entraram em greve no dia 23 de fevereiro após alegarem que o governo Federal não cumpriu pontos do acordo firmado ao final da paralisação nacional da categoria em 2024. Segundo a Asufpel, são 16 itens pendentes de implementação.
Entre as principais reivindicações estão a reposição de servidores aposentados e a redução da jornada de trabalho da categoria. As demandas foram negociadas junto ao Ministério da Educação.
