“O cérebro só termina de se desenvolver por volta dos 24 ou 25 anos”

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“O cérebro só termina de se desenvolver por volta dos 24 ou 25 anos”

Thaís Vieira Cardoso - Psicóloga

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Atualizado quarta-feira,
04 de Março de 2026 às 10:31

“O cérebro só termina de se desenvolver por volta dos 24 ou 25 anos”
(Foto: Reprodução)

A psicóloga Thaís Vieira Cardoso fala sobre os desafios da fase da adolescência, marcada por transformações físicas, emocionais e sociais. Mãe de adolescente, ela também destaca a importância do diálogo, da escuta e da presença ativa da família na construção de vínculos saudáveis.

A adolescência é mesmo uma fase de crise?
Eu digo que a adolescência é uma crise, porque passa por diversas transformações, tanto físicas quanto mentais e de identificação com a sociedade. É uma idade em que a percepção deles sobre a sociedade aumenta muito, então se comparam mais, buscam a própria identidade. É bem difícil, e difícil também para nós, como pais, entender essa faixa etária e conseguir acompanhar.

Essas mudanças podem gerar conflitos emocionais?
Com certeza. Hoje em dia, a gente tem muito mais comparação, principalmente pelas redes sociais. Se intensificou muito da nossa geração para agora. Existe uma pressão social maior, inclusive por produtividade. Então, é uma geração diferente, que precisa de uma atenção maior na questão emocional.

Como os pais podem identificar quando algo deixa de ser “natural da idade”?
Tem questões que são naturais, como o adolescente ficar mais voltado para os amigos e menos para a família. Um certo isolamento é esperado. O ponto de atenção é quando isso traz prejuízos: isolamento excessivo, muita irritabilidade, dificuldade escolar, dificuldade de fazer amigos ou de se relacionar. Quando começa a prejudicar a vida dele, é importante buscar ajuda, tanto para o adolescente quanto para os pais.

Quais transtornos são mais comuns nessa fase?
Hoje têm se intensificado bastante os quadros de depressão e ansiedade. Existe essa pressão por escolhas, faculdade, trabalho. Muitos se sentem pressionados e ficam mais ansiosos. Também há outros transtornos que podem ter questões genéticas. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas.

Até que idade vai a adolescência?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência começa aos 10 anos. E o cérebro só termina de se desenvolver por volta dos 24 ou 25 anos. O córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento, só amadurece nessa idade. Então, neurologicamente, ainda há imaturidade, mesmo que o adolescente pareça adulto fisicamente.

Como lidar com o tema da sexualidade?
Tem que falar sobre esse assunto. Inclusive sobre abuso, prevenção e proteção. Muitos pais não sabem como começar. Uma forma é perguntar o que o adolescente já sabe sobre o tema e, a partir disso, conversar de maneira aberta e tranquila. Se não souber pelos pais, vai buscar informação em outros meios, que nem sempre são confiáveis.

Como identificar e agir diante do bullying?
Depende de como o adolescente está lidando com isso. Às vezes há brincadeiras, mas se ele se sente prejudicado, irritado ou afetado, é importante levar para a escola. A escola pode trabalhar o tema com rodas de conversa e intervenções. Os pais precisam manter diálogo com a escola e acompanhar essas relações.

E sobre a pressão para escolher uma carreira?
O ideal é que seja algo natural, que o adolescente vá vivendo experiências e descobrindo do que gosta. Mas muitas famílias impõem escolhas, o que gera pressão. Já existe uma cobrança interna nessa fase. É importante identificar se a escolha é realmente do adolescente ou se é uma expectativa familiar. Senão, ele pode se frustrar no futuro.

Qual é o papel das redes sociais na saúde mental?
As redes sociais não são a grande vilã. Elas amplificam o que já existe. Se o adolescente tem baixa autoestima, tende a se comparar mais. O tempo de tela e os conteúdos precisam ser supervisionados. O mais importante é o diálogo, saber o que está acontecendo na vida dele e ele saber que pode contar com os pais.

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