Fim de uma era: o último dia dos pedágios

Editorial

Fim de uma era: o último dia dos pedágios

Fim de uma era: o último dia dos pedágios
(Foto: Jô Folha)

O último dia do pedágio no Polo Rodoviário Pelotas, que chega ao seu final à meia-noite desta terça-feira (3), com a volta da federalização dos serviços nas BRs-116 e 392, desafia a lógica de quem acredita ser possível a União oferecer a mesma qualidade que a iniciativa privada quando o assunto é manutenção, preservação e atendimento nas rodovias. Aqui já é possível estabelecer um longo debate ideológico, sem se chegar a qualquer conclusão.

Independentemente daquilo em que acreditam os dois lados dessa discussão sobre a capacidade do Estado de atender uma nação continental apenas com recursos públicos, a partir de hoje passaremos a ver, de fato, o que isso representa. O Polo Rodoviário Pelotas volta às mãos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que contratou quatro empresas para cuidar do trecho. Os atendimentos de socorro médico ficarão sob responsabilidade dos municípios, enquanto o serviço mecânico terá de ser feito pelo próprio motorista, a quem caberá acionar o serviço e pagar por ele – bem mais que os R$ 19,60 das cancelas.

O preço do pedágio, aliás, sempre foi o calcanhar de Aquiles do Polo Pelotas. Um dos mais caros do Brasil, serviu de bandeira para quem se posicionou contra o modelo. Fácil de bater, difícil de defender.

Se em 4 de março de 2001, quando a cobrança da concessão se iniciou oficialmente, havia a expectativa dos investimentos tão sonhados para rodovias em precárias condições, hoje, 3 de março de 2026, esse mesmo olhar parece diluído frente à agenda negativa construída contra a privatização. E aqui, a memória ajuda a dissipar essa nuvem. Sim, trafegamos em estradas melhores e passamos a ser melhor atendidos quando foi necessário o socorro. É fato. Os acidentes diminuíram e milhares de vidas, pode-se dizer, foram salvas em quase três décadas.

O contrato, mal feito no passado, encerra-se com a expectativa de um documento melhor, contemporâneo à realidade regional e nacional, quando a próxima concessionária assumir. A luta, a partir de agora, é outra: a data do leilão. Porque, desde o ano passado, a Zona Sul está sendo “enrolada” pelo Ministério dos Transportes, com datas e prazos nunca cumpridos. Apenas ontem as audiências públicas foram conhecidas, após longo atraso. E não podemos aceitar, de braços cruzados, iniciar o novo ciclo assim.

Acompanhe
nossas
redes sociais