A valorização dos saberes tradicionais ligados à pesca artesanal esteve no centro de um projeto desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), que chega ao fim nesta sexta-feira (26), em Pelotas. A iniciativa buscou aproximar jovens das comunidades pesqueiras locais de práticas culturais e produtivas historicamente presentes na região.
Realizado ao longo de um ano, o trabalho envolveu ações educativas, apoio à adequação sanitária de empreendimentos familiares e o registro coletivo de conhecimentos relacionados à pesca artesanal. As atividades ocorreram principalmente nas comunidades da Colônia Z3 e do Pontal da Barra, territórios marcados pela forte relação com a Lagoa dos Patos.
Sobre o projeto
Segundo o coordenador técnico do projeto, Edeson Silva, a proposta surgiu a partir de demandas das próprias lideranças locais, diante das transformações ambientais e sociais que impactam a atividade pesqueira e o interesse das novas gerações. “Muitos jovens seguem estudando e acabam se distanciando da pesca, mas isso não significa romper com essa identidade. Trabalhamos para que eles compreendam que também fazem parte dessa atividade e podem contribuir com a comunidade de diferentes formas”, explica.
Além das ações locais, o projeto também proporcionou a participação de jovens em uma agenda de intercâmbio em Brasília, onde representantes das comunidades compartilharam experiências e conheceram iniciativas semelhantes desenvolvidas em outras regiões do país.
Uma das frentes do trabalho foi voltada à formação continuada de jovens de famílias pescadoras, que receberam bolsas durante dez meses para participar de oficinas e debates sobre cultura, geração de renda e desafios enfrentados pelo setor. Conforme Silva, o objetivo foi fortalecer o vínculo dos participantes com o território e ampliar perspectivas profissionais relacionadas à pesca artesanal. “A formação pode abrir novos caminhos, seja na pesquisa, na gestão, na saúde ou na tecnologia, sem que o jovem precise abandonar sua relação com a pesca”, destaca.
Próximos passos
Mesmo com o encerramento desta etapa, a equipe responsável já prevê a continuidade das atividades por meio de novos recursos. A próxima fase, denominada Projeto Rebojo, pretende ampliar o debate regional sobre os desafios enfrentados pela pesca artesanal, especialmente diante dos efeitos da crise climática e de conflitos ambientais.
