Safra do camarão começa tímida na Lagoa dos Patos e mantém preço alto nas bancas

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Safra do camarão começa tímida na Lagoa dos Patos e mantém preço alto nas bancas

O quilo do crustáceo limpo varia entre R$ 59,00 a R$ 65,00, enquanto pescadores vendem a R$ 11,00 in natura

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Atualizado sexta-feira,
27 de Fevereiro de 2026 às 14:57

Safra do camarão começa tímida na Lagoa dos Patos e mantém preço alto nas bancas
A disparidade entre o valor pago ao pescador e o preço final ao consumidor também é motivo de crítica (Foto: Divulgação)

Vinte e oito dias após o início da safra do camarão, o crustáceo já aparece em diferentes tamanhos nas bancas do Mercado Central de Pelotas, mas o preço ainda é considerado alto, embora um pouco abaixo do praticado no começo da captura. A presença do camarão na Lagoa dos Patos, especialmente na região da Colônia Z3, segue tímida, cenário que já era previsto por especialistas. No extremo sul da lagoa, em Rio Grande e São José do Norte, a produção está mais concentrada, garantindo algum fôlego aos pescadores.

No Mercado Público, o quilo do camarão limpo varia entre R$ 59,00 e R$ 65,00 podendo chegar a R$ 124,00 no caso do graúdo. Para o pescador, no entanto, o valor pago pelo quilo in natura gira em torno de R$ 10,00 a R$ 11,00.

Safra dentro do previsto

De acordo com o professor Luiz Felipe Cestari Dumont, do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o início da safra está dentro do esperado. Segundo ele, o volume elevado de chuvas na bacia de drenagem dos rios que deságuam na Lagoa dos Patos dificultou a entrada das larvas no começo do período de captura. “A previsão já indicava uma safra começando com abundância média a média baixa no primeiro mês, com produção mais concentrada na região sul”, explica.

A passagem de frentes frias nas últimas semanas ajudou a empurrar água salgada para dentro da lagoa, fator considerado positivo para o desenvolvimento do camarão. Ainda assim, a expectativa é de melhora gradual ao longo das próximas semanas.

Olhar de quem vive da pesca

Para o pescador José Carlos Batistoni dos Santos, 72, morador da Colônia Z3 e na atividade desde os 16, o comportamento da safra ainda inspira cautela. Ele observa que a entrada de água salgada tem ocorrido de forma irregular. “Ela vem e volta. Para ter camarão graúdo, de consistência, precisava ter salgado bem a lagoa lá por novembro, o que não aconteceu”, avalia.

Segundo o pescador, o camarão tem se concentrado em áreas mais abrigadas, como sacos e lagoas internas, onde a água salgada permanece por mais tempo. A preocupação agora é com a queda de temperatura. “Quando começa a esfriar, o camarão que está pronto vai embora. O frio, para nós, já é um sinal de alerta”, afirma. Batistoni acredita que a safra deve repetir o desempenho do ano passado ou até ficar abaixo. “Tomara que eu esteja errado, mas é o que a gente sente na prática.”

Diferença de preços

A disparidade entre o valor pago ao pescador e o preço final ao consumidor também é motivo de crítica. “Se pagam R$ 11,00 o quilo, depois de limpo dobra. No fim, chega a R$ 60,00 ou mais. Quem pesca recebe pouco perto do que é vendido”, comenta.

Além do camarão, a pesca na lagoa entra em novo período de restrições. A captura da corvina se encerra neste fim de semana. Permanecem liberadas apenas a tainha, com limite de cota, e o camarão. O bagre segue proibido.

Com a oferta ainda irregular e dependente das condições ambientais, a expectativa do setor é de que a entrada mais consistente de água salgada nas próximas semanas possa impulsionar a produção e, consequentemente, aliviar o preço ao consumidor.

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