Início do ano letivo apresenta desafios para a rede municipal de ensino de Pelotas

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Início do ano letivo apresenta desafios para a rede municipal de ensino de Pelotas

Secretaria reafirma compromisso com a alfabetização e projeta concurso para professores auxiliares

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Início do ano letivo apresenta desafios para a rede municipal de ensino de Pelotas
Cerca de 26 mil alunos iniciaram o ano letivo em Pelotas. (Foto: Volmer Perez)

Com o início das aulas nesta segunda-feira (23) para os cerca de 26 mil alunos em 93 escolas da rede municipal de Pelotas, desafios como a falta de professores auxiliares e uma escola ainda fechada por conta do temporal do dia 12 de fevereiro passam a requerer uma maior atenção do poder público.

Com a volta às aulas, a secretária interina de Educação de Pelotas, Vitória Feldens, reforça que o compromisso da pasta neste ano é com a alfabetização, em trabalho integrado com o recém-criado Centro de Apoio à Gestão e Pesquisa Educacional (Ceagepe), além de reconhecer os desafios que a educação pública pelotense, em especial a educação infantil, enfrenta.

A secretária interina também destaca que estão para ser publicados os processos licitatórios para a construção de três Escolas de Educação Infantil (Emeis) e a possibilidade de novos financiamentos para a ampliação do número de instituições, que refletirá na melhor distribuição e ampliação de vagas disponíveis, uma das situações mais delicadas em todo começo de ano.

Professores

O concurso para o magistério de Pelotas está em fase final e deverá acrescentar trabalhadores nas áreas de maior necessidade na rede municipal de ensino. Ainda assim, Vitória afirma que há uma defasagem no quesito profissional e, com isso, uma articulação maior pelo plano de carreira da categoria. Além disso, é um desejo da secretaria contar com mais profissionais efetivos, com necessidade de ampliação no número de profissionais, para todos os cargos. “Contratos são necessários para casos temporários, mas trabalhar com uma rede efetiva traz mais garantia”, diz.

Segundo a secretária interina, já há contratações autorizadas que deverão resultar no chamamento de professores nas próximas semanas.

Professores auxiliares

Categoria, criada em setembro do ano passado, prestará suporte para alunos com necessidades educacionais especializadas. No entanto, o concurso que selecionará estes profissionais deverá ser lançado neste ano em Pelotas. Até lá, um dispositivo para remanejo de cargas horária de professores está sendo utilizado pela SME para preencher os cargos.

Segundo explica a secretária interina, os professores que trabalham 20 horas semanais podem acrescer mais 20 horas para atendimento especializado como professores auxiliares, através do Complemento de Carga Horária (CCH). Os profissionais manifestaram a intenção de utilizar o CCH ainda no ano passado, no entanto, estarão formalizando a adesão nesta semana. “Precisa esperar o começo do ano para saber onde esse aluno vai ficar e se vai ter algum professor da escola que queira pegar o CCH”, explica.

Não é necessário que o professor tenha alguma formação específica voltada para o atendimento especializado ou experiência prévia, no entanto, a secretária reforça que muitos já convivem com os alunos e recebem auxílio de outros profissionais que já atuam na escola em salas de recurso.

A demora na disponibilidade de um professor auxiliar desespera responsáveis como a Meriam, mãe da Isabele de 14 anos, estudante do oitavo ano do Colégio Pelotense, e que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela luta desde o primeiro ano da filha por um atendimento direcionado para as necessidades da jovem. No entanto, segundo ela, desde então a única resposta que recebe é o pedido por espera. “Ela precisa desse acompanhamento, ela tem dificuldades de socialização e de aprendizagem. Ela chegou a ser encaminhada para aula de reforço, mas não tive nenhum retorno de quando seriam essas aulas, nem com quem seria, só disseram que iam me avisar”, diz Meriam.

Escola Bernardo de Souza

Com o telhado comprometido desde o último temporal que atingiu a região, no dia 12 de fevereiro, a Bernardo de Souza, a maior Emei de Pelotas, não retornou às aulas ontem. Mais de 430 alunos foram afetados e, segundo a SME, não há previsão de quando a escola será reaberta. A secretária interina reforça que o projeto ainda está sendo estudado e que ainda não está definido se será necessário realocar as atividades da escola em algum outro espaço.

“Meu filho estava pronto para ingressar no Pré I quando fomos surpreendidos, uma semana após o tornado, com a informação de que a escola havia sofrido um destelhamento. Liguei para a escola de manhã e ainda não há previsão de retorno”, afirma a mãe de um aluno da escola, que não quis se identificar.

Outras 15 escolas foram afetadas pelo temporal e tiveram danos em suas estruturas. No entanto, a secretaria afirma que todas elas, exceto a Bernardo de Souza, iniciaram as aulas ontem dentro da normalidade. Houve um esforço pela diretoria de infraestrutura da SME para que os problemas pontuais das instituições fossem sanados antes do início do ano letivo.

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