O som estrangeiro que ajuda no pulsar das rodas de samba

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O som estrangeiro que ajuda no pulsar das rodas de samba

Encontro de Banjeiros reunirá cerca de 20 adeptos do instrumento ao destacar a presença do banjo na música pelotense

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O som estrangeiro que ajuda no pulsar das rodas de samba
Zezé do Banjo (E), Marcos Vovô e Nego Kika são os organizadores (Foto: Divulgação)

Quem acompanha de perto a cena do samba em Pelotas já percebeu: o banjo tem presença marcante nas rodas espalhadas pela cidade. Esse protagonismo ganha destaque neste sábado (17), com a realização do 1º Encontro de Banjeiros de Pelotas, que reunirá cerca de 20 instrumentistas no Beco da Cultura, na travessa Ismael Soares, em frente à praça Coronel Pedro Osório e ao lado do restaurante Copa Rio, a partir das 19h.

A iniciativa partiu de músicos locais, entre eles José Antônio Araújo da Silva, o Zezé do Banjo, Marcos “Vovô” e Nego Kika. Segundo Zezé, a ideia surgiu a partir da constatação de que há muitos banjeiros atuando na cidade. “Em Pelotas temos em torno de 30 pessoas que tocam banjo. Conversamos, formamos um grupo e começamos a convidar o pessoal. A ideia foi ganhando força porque nunca tinha acontecido algo assim por aqui”, explica.

Em menos de dois meses de organização, o número de participantes já estava fechado. “Ao menos uns 20 vão sentar ali com a gente”, adianta.

Da África para a América

De origem africana, o banjo chegou à América trazido por pessoas escravizadas. Nos Estados Unidos, ganhou cinco cordas e se popularizou especialmente entre músicos de country e jazz. No Brasil, o instrumento foi adaptado às rodas de samba a partir da década de 1970 por nomes como Mussum e Almir Guineto, que incorporaram ao corpo do banjo o braço do cavaquinho. A mudança trouxe mais resistência e potência sonora, características ideais para o samba.

“O banjo tem um som mais alto, mais seco e percussivo. Não é mais agudo que o cavaquinho, mas é mais encorpado e grave, com um timbre que se destaca na roda sem precisar de microfone”, explica Zezé. Essa sonoridade permitiu que o instrumento ocupasse um espaço definitivo no centro do samba e do pagode, sendo citado inclusive em músicas de artistas como Arlindo Cruz.

Há cerca de 30 anos

Em Pelotas, diversos grupos utilizam o banjo, como os Batuqueiros, reforçando a identidade local do instrumento. Para Zezé, apesar da semelhança com o cavaquinho, o banjo tem uma forma própria de tocar. “A diferença está no paletear. O banjo é mais repicado, enquanto o cavaquinho é mais suave”, afirma o músico, que toca o instrumento há mais de 20 anos. “Faz uns 30 anos que eu vi o banjo pela primeira vez, aqui em Pelotas, o Ney Beleza é quem tocava, ele vai estar com nós também no sábado”, fala.

O encontro de amanhã será uma grande roda de samba, com banjos dividindo espaço com praticamente toda a percussão tradicional do gênero. Estão previstos surdo, pandeiro, repique, rebolo, reco-reco, chocalhos e cuíca. A proposta, segundo os organizadores, é celebrar o instrumento e fortalecer ainda mais o samba na cidade, valorizando uma sonoridade que conquistou seu lugar definitivo na Música Popular Brasileira.

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