Um protesto em frente ao Presídio Regional de Pelotas (PRP) bloqueou a rua Cristóvão José dos Santos no início da tarde desta quarta-feira (14). A manifestação foi organizada pelo Coletivo de Familiares de Pessoas Privadas de Liberdade, que cobra esclarecimentos sobre um apenado baleado durante uma intervenção da Polícia Penal na unidade.
O bloqueio começou por volta das 13h30min e se estendeu até cerca das 14h15min, quando o Corpo de Bombeiros apagou focos de fogo ateados na via e auxiliou na liberação do trânsito. A Secretaria de Transporte e Trânsito (STT) acompanhou a ocorrência, e o policiamento permaneceu no local, já que os manifestantes seguiram concentrados em frente ao presídio, com possibilidade de novos bloqueios.
Intervenção pela manhã
Em nota, a Polícia Penal informou que, durante a manhã, policiais penais realizaram uma intervenção em uma das galerias do presídio com o objetivo de manter a ordem e retirar possíveis materiais ilícitos. Conforme o comunicado, os presos colocaram colchões no acesso da galeria e passaram a arremessar objetos contra os agentes, o que levou ao uso progressivo da força.
Ainda segundo a Polícia Penal, durante a ação um apenado ficou ferido por disparo de arma de fogo efetuado para controle da situação. Ele foi encaminhado para atendimento médico e apresenta quadro de saúde estável. A instituição afirma que a unidade prisional encontra-se dentro da normalidade e que o caso será apurado pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal.
Explicações
O Conselho da Comunidade Carcerária, que acompanha a situação, informou que o colegiado foi acionado ainda pela manhã e pretende agendar uma reunião com a administração do presídio nos próximos dias. O objetivo é obter esclarecimentos mais detalhados sobre o ocorrido, após a formalização dos registros e encaminhamentos administrativos.
Familiares afirmam que a manifestação também está relacionada a episódios recentes dentro do presídio, incluindo mortes de detentos registradas no período do Natal, classificadas oficialmente como naturais, mas que geraram desconfiança entre os familiares. De acordo com a integrante do Coletivo Carcerário, Aline Baltazar, o protesto busca justiça e mais transparência nas ações da Polícia Penal.
