“As crianças entendem que o alimento vem da agricultura, que precisa de uma pessoa para trabalhar na lavoura”

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“As crianças entendem que o alimento vem da agricultura, que precisa de uma pessoa para trabalhar na lavoura”

Gabriela Gatto – idealizadora do projeto ‘O Agro que Ensina’

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Atualizado segunda-feira,
12 de Janeiro de 2026 às 10:36

“As crianças entendem que o alimento vem da agricultura, que precisa de uma pessoa para trabalhar na lavoura”
Iniciativa foi reconhecida como destaque nacional do CNA Jovem 2025 (Foto: Divulgação)

Oferecer ações educativas que conscientizam crianças e adolescentes sobre a importância de alimentos imperfeitos pode até parecer simples, mas o desafio da jovem administradora Gabriela Gatto é do mesmo tamanho do desejo em demonstrar que frutas e legumes que seriam descartados podem ser integralmente aproveitados. O projeto ‘O Agro que Ensina’ (@oagroensina), de Pedro Osório, foi reconhecido como destaque nacional do CNA Jovem 2025, programa de desenvolvimento de lideranças em que jovens de 22 a 30 anos do agronegócio de todo o Brasil se engajam na resolução de desafios do setor. A iniciativa ficou entre as quatro melhores do Rio Grande do Sul e as dez melhores do país, entre mais de 3.700 participantes.

Como surgiu ‘O Agro que Ensina’?
Minha família planta cebola no interior de Pedro Osório e, com os efeitos climáticos dos últimos dois anos, fomos impactados diretamente. Com o pouco que sobrou da produção, não conseguíamos comercializar porque elas tinham ficado fora do padrão comercial. Assim como a minha, muitos produtores também dependem do clima para o sustento, então a ideia surgiu justamente dessa dor coletiva. Quando entrei no programa, trouxe esse lado dos alimentos que ficam imperfeitos, que sofrem com essas mudanças climáticas e que acabam perdendo valor só por serem pequenos. Não é um alimento machucado ou estragado, longe disso, é aquele alimento que ficou sem um padrão comercial.

Como é a dinâmica da ação?
Percebi que as crianças seriam o meio mais fácil de passar a mensagem, porque mudar o pensamento de um adulto de 30, 40 anos ou mais é muito difícil. Temos um padrão de querer alimentos perfeitos, uma melancia no tamanho certo, por exemplo, mas a produção agrícola é uma surpresa. Então, ao trabalhar com as crianças, consigo ver a pureza que elas têm e, aos poucos, na faixa etária de 7 a 9 anos, entendem que o alimento vem da agricultura, que precisa de uma pessoa para trabalhar na lavoura, para poder ter aquele alimento em casa. As crianças visitam uma propriedade rural e conhecem a vida do agricultor, entendem o que são os alimentos imperfeitos e por que podemos consumi-los. Com a expansão da iniciativa, adolescentes também são atendidos. Temos histórias em quadrinhos, vídeos, músicas, uma cartilha, tudo trabalhado em sala de aula. Além disso, os pais se envolvem no processo porque conseguimos fazer os dias de feira na saída das escolas, onde as crianças convidam os pais para comprar diretamente dos agricultores, trazendo renda direta para eles e integrando ainda mais todos os envolvidos.

Qual é o sentimento ao ver esse reconhecimento?
De dever cumprido, pois sempre tive a ideia de que o projeto só está começando e que, aos poucos, a gente vai atingir mais lugares e pessoas. Como sou de outro município, perceber que muitas pessoas, do poder público e da população, abraçaram a ideia me deixa muito feliz. Além do mais, me coloquei à disposição para compartilhar todo o material, para que juntos a gente possa somar e levar essa mensagem para mais lugares e para que mais crianças cresçam conscientes da importância da agricultura e dessa valorização dos alimentos imperfeitos.

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