Quem foi o culpado?

Opinião

Felipe Gonçalves

Felipe Gonçalves

Psicólogo

Quem foi o culpado?

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Quem foi o culpado? Em muitos ambientes de trabalho essa é a pergunta que aparece com frequência quando algo dá errado. Ela costuma vir acompanhada de justificativas, explicações e, às vezes, disputas sobre quem carregará o peso da falha. Existe uma pergunta melhor.Qual foi a minha parte nisso?

Quando essa mudança acontece, entramos em um território importante para qualquer profissional ou líder: o da accountability.

A palavra costuma ser traduzida como responsabilidade ou “prestação de contas” se olharmos no dicionário americano, mas a ideia vai um pouco além. Responsabilidade é cumprir o que foi combinado. Accountability envolve entender qual a implicação de cada parte/pessoa envolvida no processo, inclusive quando o resultado não é o esperado.

Essa postura exige alguns fundamentos simples. Ética, para agir de forma correta mesmo sob pressão;. Integridade, para manter coerência entre discurso e prática; Coragem para admitir falhas; Humildade para aprender.

Parece evidente, mas muitos de nós fomos educados a lidar mal com o erro. Desde cedo aprendemos que errar significa perder pontos, receber críticas ou demonstrar fraqueza. Não era assim na escola? Isso nos ensinou a esconder falhas, evitar assumir problemas e gastar energia excessiva tentando proteger nossa imagem.

Organizações que evoluem lidam de forma madura com o Accountability. Elas tratam o erro como parte do processo de aprendizado. Em alguns lugares isso chega a ser institucionalizado. Na Finlândia existe até um dia dedicado a discutir fracassos, justamente para extrair aprendizado coletivo das experiências que não funcionaram.

Quando essa lógica se torna parte da cultura de um time, surgem duas consequências positivas. A primeira é o aprendizado mais rápido. A segunda é a criação de um ambiente onde as pessoas se sentem seguras para falar sobre problemas.

Nesse ponto entramos em um tema que muitas vezes passa despercebido nas discussões sobre gestão: o autoconhecimento. Boa parte das reações que vemos no trabalho nascem de emoções pouco reconhecidas. Medo de errar, receio de parecer despreparado, insegurança diante de mudanças. Quando esses fatores não são compreendidos, o ambiente tende a ficar defensivo.

Já quando existe espaço para reconhecer limites e aprender com eles, as conversas ficam mais honestas e as decisões mais claras.

No fundo, liderança tem muito menos relação com controle do que costumamos imaginar. Ela envolve capacidade de olhar para a realidade com honestidade, reconhecer a própria influência nos acontecimentos e conduzir o próximo passo com sobriedade.

Esse movimento começa com uma pergunta simples: qual é a minha parte nisso?

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