Recentemente, a ex-vereadora de Nova Prata, Roseli Vanda Pires Albuquerque, foi assassinada pelo seu ex-marido. Ela já havia sido a vereadora mais votada da cidade, exercido dois mandatos e também sido vice-prefeita.
Escrevo este texto no dia 2 de março. Já temos 20 vítimas de feminicídio registradas no Rio Grande do Sul apenas em 2026. Roseli foi a 17ª. Tentamos falar em números assustadores na esperança de que talvez nos escutem. Então seguirei escrevendo com números, contando com essa escuta. Por 30 anos, Roseli esteve com seu ex-companheiro. Ela já havia pedido medida protetiva contra ele há quase dez anos.
Fui pesquisar sobre o caso porque ouvi uma pessoa dizer: “Mas como alguém escolhe esse tipo de marido? Como alguém mantém ao lado essa pessoa?”.
Como conseguir identificar um agressor, um assassino? Temos o trabalho de nos perguntar sobre nosso parceiro, a pessoa com quem dividimos a vida. Mas não como um homem se perguntaria: “Ela me faz feliz? Temos os mesmos interesses? A imagino como mãe dos meus filhos?”.
Pode parecer exagerado, mas morar no Brasil em 2026 exige que, ao conhecermos um homem, estejamos sempre em alerta para qualquer sinal. Como se fosse nosso erro não reconhecer um agressor por pequenos indícios.
A maioria das mulheres assassinadas por feminicídio sofre o crime cometido por seus maridos. Elas já foram ou são casadas com esses homens. O que te protege disso? Como saber? Isso é realmente nosso papel?
Perdi as contas de quantos artigos já li sobre ficar atenta aos sinais. Esses textos são extremamente importantes. Mas, como mulher, digo que estou cansada de estar sempre alerta. Será que já não chegou a hora de virarmos o jogo e falarmos com os nossos meninos sobre o amanhã? Sinto que é muito mais fácil culpar uma mulher por suas escolhas do que educar os homens.
Com sete anos de idade, o sonho da maioria das meninas já é encontrar o seu príncipe, em busca do grande casamento. Porém, quando questionado, um menino de sete anos não responde que tem ambição em casar. Jogador de futebol, médico, astronauta. É ótimo que nossos meninos pensem sobre o seu futuro e sonhem de forma individual. E, graças a tantas mulheres que lutaram por isso, começamos a dizer também às nossas meninas que sonhem mais alto e coloquem em segundo plano o casamento.
Infelizmente, esquecemos de um pequeno grande detalhe: de educar nossos meninos sobre esses avanços. Parte deles, que hoje nasce do ventre de uma mulher, estará violentando mulheres amanhã.
Convido meus leitores a fazer o movimento inverso. Vamos educar nossos meninos, nossos homens, para que talvez, no dia 8 de março de 2027, tenhamos números mais baixos neste Dia Internacional da Mulher.