Humana

Opinião

Aléxia Porto

Aléxia Porto

Poetisa

Humana

Por

Me aproximo como uma criança atormentada pelos pesadelos de uma noite solitária.

Me vejo, por um momento, vazia.

Como quem sangra pelos caminhos que traça, e apenas se reconhece pela trajetória.

Você abre os braços e me aproximo, procurando colo ou consolo.

Me encontro, então, na medida em que me misturo com seu cheiro e me perco no segundo em que sinto seu lado humano.

No fundo, o que me apavora é ser vista como alguém que pode chorar.

Tua humanidade crua me deixa algo que soa quase como inveja.

Inveja de não ter medo de sentir e assumir.

Inveja porque reconheço quando o mundo desaba, e sei que sou a pessoa que deseja sumir.

O tipo de pessoa que sempre teve que fugir para se encontrar.

Desaparecer de minha própria pessoa.

Ser humana me assusta,

porque sempre tive a cobrança de ser

a pessoa perfeita.

E a pessoa perfeita não cai,

não rala o joelho e retorna chorando para casa.

Mas você me abraça e me permite sujar suas próprias vestes de sangue, deixando tudo carmesim, derramando em ti uma parte de mim.

Para no final do dia, conseguir respirar

e não me afogar com a minha própria pessoa.

Você soa como quem traz a cura.

Quem me olha e me vê humana,

completa, ferida e mesmo assim, me reconhece como sua.

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