O início da vida escolar representa uma fase de grandes descobertas para as crianças e também para as famílias. Tradicionalmente, esse momento é conduzido por meio de um período de adaptação, para garantir que a transição entre a casa e a escola ocorra de forma gradual, respeitando o tempo de cada criança e fortalecendo vínculos com professores, colegas e com o próprio ambiente escolar.
De acordo com a coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Gonzaga, Ritamara Buss, a adaptação é considerada um dos momentos mais importantes do início do ano letivo. “É o primeiro contato da criança com a escola. Ela vai conhecer o espaço, a rotina e os professores. Ao mesmo tempo, a família também precisa vivenciar esse ambiente para se sentir segura”, explica.
Segundo a coordenadora, a confiança dos pais é fundamental para que o processo aconteça de forma tranquila. “Se a família não estiver confiante na escola, a criança também não se sentirá segura. Por isso, esse momento inicial é construído em conjunto, para que todos se sintam acolhidos”, afirma.
Atenção individualizada
No Gonzaga, a adaptação ocorre de forma progressiva. Nos primeiros dias, o tempo de permanência na escola é reduzido e aumenta gradualmente conforme a criança se sente mais confortável. No caso dos alunos menores, os encontros são organizados em pequenos grupos, permitindo maior atenção individualizada.

(Foto: Rita Wicth)
“Os pais entram na sala, participam de atividades com os filhos e ajudam nesse primeiro contato com o ambiente. Aos poucos, eles se afastam por alguns minutos e a criança permanece com os professores. Com o passar dos dias, esse tempo vai aumentando até que a criança consiga permanecer na escola de forma mais tranquila”, explica Ritamara.
A Educação Infantil do colégio recebe crianças a partir de um ano. Nessa fase inicial, que inclui Materna, Maternal A e Maternal B, o trabalho pedagógico prioriza o cuidado, o desenvolvimento das habilidades básicas e a construção da autonomia. A partir dos quatro anos, na pré-escola, as atividades passam a incluir também experiências voltadas à preparação para a alfabetização.
Além da metodologia, a estrutura de atendimento também é planejada para garantir o acompanhamento adequado. Nas turmas menores, a legislação estabelece uma proporção específica entre professores e alunos. “Para os menores, a cada quatro crianças é necessário ter uma professora. Já na pré-escola, a cada cinco alunos há um profissional responsável pelo acompanhamento”, explica a coordenadora. Quando necessário, o colégio também amplia o número de auxiliares para atender melhor as necessidades da turma.
Construção de vínculo
Para a professora do Maternal A, Andressa Fuentes dos Santos, o primeiro passo do processo de adaptação é a construção de vínculo com a família. “Muitas crianças chegam aqui tendo convivido apenas com os pais, sem contato com outras crianças ou com o ambiente escolar. Por isso, antes de tudo, precisamos criar um vínculo com a família e com o aluno”, explica.
Nesse segmento, a adaptação costuma acontecer em duas etapas. Na primeira semana, os responsáveis permanecem dentro da sala de aula, participando das atividades e conhecendo o espaço. Esse contato inicial permite que as crianças explorem o ambiente de forma mais segura.
“Durante esse período, deixamos que elas brinquem livremente, apresentamos os brinquedos, realizamos pequenas atividades e mostramos como funciona o espaço da sala. É um momento para que a criança se familiarize com a escola e perceba que está em um ambiente acolhedor”, relata a professora.
Na etapa seguinte, os pais passam a se afastar gradualmente e os alunos permanecem apenas com os educadores. É nesse momento que as interações entre colegas começam a acontecer com mais naturalidade.
“A partir daí, conseguimos criar um vínculo mais direto com a criança e incentivar a socialização. Eles começam a brincar juntos, compartilhar brinquedos e participar das atividades em grupo”, diz Andressa.
As atividades propostas durante a adaptação são predominantemente lúdicas. Brincadeiras com massinha de modelar, pintura, jogos simbólicos, músicas e contação de histórias fazem parte da rotina. A musicalização, inclusive, é utilizada em diversos momentos do dia, como na hora do lanche ou nas trocas de fralda.
“O objetivo é mostrar que a escola é um lugar prazeroso, onde eles podem brincar, aprender e conviver com outras crianças. Quanto mais positiva for essa experiência inicial, mais tranquila será a adaptação”, afirma.
No Maternal A, a rotina também inclui momentos de exploração dos diferentes espaços do colégio. As crianças realizam passeios pelas dependências da escola, visitam a biblioteca, conhecem a cantina e utilizam áreas externas como a Praça Padre Alberto, que integra o espaço escolar.
“A escola é grande e nós aproveitamos isso para fazer visitas e apresentar novos ambientes. Eles gostam muito de ir à praça, brincar no pátio e conhecer os diferentes espaços”, conta a professora.
Rotina escolar
No Pré-A, etapa que atende crianças entre quatro e cinco anos, o processo de adaptação também acontece por meio da criação de vínculos e da construção da rotina escolar. Segundo a professora Elisa Nasser, cada turma apresenta características diferentes.
“Há alunos que já têm alguma vivência escolar e outros que estão tendo o primeiro contato com a escola. Por isso, a adaptação também depende muito do perfil da turma e de cada criança”, explica.
Para a educadora, o processo envolve principalmente aspectos emocionais. “A adaptação acontece quando conseguimos transmitir segurança para o aluno e para a família. Esse é um processo afetivo, que precisa respeitar o tempo de cada criança”, avalia.
No dia a dia da turma, a chegada dos alunos acontece por meio de atividades organizadas em estações. Em cada espaço da sala são disponibilizados materiais diferentes, como massinha, blocos de montar, livros e fantoches.
“Esse momento inicial é uma forma de acolher as crianças de maneira mais tranquila. Elas escolhem onde querem brincar e vão se organizando até que todos os colegas cheguem”, informa Elisa.
Em seguida, os professores apresentam a rotina da tarde, indicando as atividades previstas para o dia. Essa organização ajuda as crianças a compreenderem o funcionamento da escola e a se sentirem mais seguras.
“Eles sabem o que vai acontecer ao longo da tarde, desde as atividades pedagógicas até os momentos de brincadeira. Claro que sempre existe flexibilidade para adaptar o planejamento ou incluir sugestões trazidas pelos próprios alunos”, destaca.
No Pré-A, as propostas pedagógicas também começam a introduzir conteúdos iniciais de linguagem e matemática. As crianças passam a ter contato com letras, sons e números, além de atividades relacionadas à escrita do próprio nome.
“O foco principal ainda é o desenvolvimento das habilidades e da curiosidade, mas já começamos a trabalhar o reconhecimento de letras, especialmente das vogais, e os números de um a dez”, explica a professora.
Pertencimento escolar
Para a coordenação pedagógica, todo esse processo tem como objetivo garantir que a criança se sinta pertencente ao ambiente escolar. Mais do que um espaço de aprendizagem, a escola se torna um local de convivência e construção de memórias.
“A criança que passa por aqui se sente acolhida. Existe um sentimento muito forte de pertencimento. Muitos alunos crescem, seguem seus caminhos, mas continuam lembrando da escola com carinho”, diz Ritamara.
Segundo ela, esse vínculo entre alunos, famílias e escola é um dos principais diferenciais do Gonzaga. “Mais do que ensinar, buscamos criar um ambiente em que a criança se sinta segura, respeitada e feliz por estar aqui. Quando isso acontece, o processo de aprendizagem se torna muito mais natural.”
