A segunda edição da Feira de Economia Criativa da Otroporto ocorre neste domingo (8), em Pelotas, reunindo artesãos e produtores culturais da região. O evento busca valorizar trabalhos autorais, estimular a geração de renda e aproximar o público de iniciativas em que a criatividade é a principal matéria-prima.
A produtora cultural Alessandra Ferreira e a organizadora e curadora do evento, Mariana Heineck, comentam a proposta da feira e o crescimento da economia criativa em Pelotas.
Qual é a proposta da Feira de Economia Criativa e qual a importância desse setor para a cidade?
Alessandra: Quando falamos em economia criativa, muitas vezes as pessoas não entendem muito bem o que isso significa. De forma simplificada, a economia criativa reúne todos aqueles trabalhos em que a criatividade é a principal matéria-prima. Um exemplo é o artesanato. A pessoa pode trabalhar com tecido, fio ou elementos da natureza para produzir uma peça, mas, se ela não criar antes, aquilo não acontece. A criatividade é o que orienta aquele trabalho. Se pensarmos em uma fábrica de carros, por exemplo, a principal matéria-prima será o aço, a borracha, a tecnologia. Já na economia criativa, a principal matéria-prima é a criatividade. Então, falar de economia criativa em Pelotas é falar de um setor muito importante para a cidade. Temos muitos trabalhos que utilizam a criatividade para se desenvolver. A arquitetura, o cinema, a música e até a tecnologia, dependendo do caso, fazem parte desse universo. A ideia da feira é reunir uma pequena amostra de tudo o que Pelotas e Rio Grande produzem dentro da economia criativa. Queremos apresentar esses trabalhos ao público para que as pessoas conheçam e entendam melhor esse setor. Além disso, buscamos fomentar a economia local, gerando emprego e renda para diversas pessoas.
Como a feira é organizada e quantos expositores participam desta edição?
Mariana: São 38 expositores, além de quatro na praça de alimentação. Na primeira feira fiz uma curadoria baseada principalmente no conhecimento que eu tinha dos trabalhos e das pessoas. Muitos também vieram por indicação. Eu observo se o trabalho tem relação com a proposta da feira, porque prezamos muito pelo trabalho autoral. A pessoa precisa produzir aquilo que está vendendo. É uma forma de valorizar o próprio trabalho. Não adianta comprar para revender. Então eu procuro conhecer o que cada expositor produz e busco trabalhos de excelência. O público vai encontrar bolsas em crochê, peças em macramê, velas e saboaria artesanal, cerâmica, trabalhos em madeira, biscoitos e pães caseiros, kokedamas, plantas suculentas, entre outros produtos. Há opções com preços variados, então é realmente um evento pensado para todos os públicos.
A feira cresceu em relação à primeira edição?
Alessandra: Sim, com certeza. Na primeira edição foram 35 expositores. Muitos estão retornando agora e também estão chegando novos participantes. Ontem mesmo ainda estavam convidando pessoas e imagino que, depois desta divulgação, mais gente também se interesse. A ideia da feira é justamente essa: ir crescendo e se fortalecendo. A Otroporto trabalha com projetos e se mantém por meio de recursos provenientes deles. Inclusive, já temos uma terceira edição prevista para acontecer ainda este ano. Ainda não definimos o mês, mas ela está nos planos.
Qual é o perfil de quem produz dentro da economia criativa e como esse trabalho pode impactar a vida das pessoas?
Mariana: Acredito que mais da metade dos nossos expositores sejam mulheres. Durante a pandemia, principalmente, observei que muitas pessoas que já tinham seus empregos começaram a fazer crochê, macramê e outros trabalhos manuais. Hoje muitas delas têm páginas no Instagram e transformaram isso em um complemento de renda. Talvez não seja a principal fonte de renda, mas ajuda bastante. Além disso, acredito que também ajudou muito na saúde mental das pessoas naquele período difícil da pandemia. O artesanato não surge de repente. É resultado de um conjunto de vivências, experiências, erros e acertos. É uma jornada longa. Não é simplesmente decidir “vou virar artesão”. Claro que as pessoas podem aprender, mas é preciso ter predisposição, concentração e dedicação. E a área do artesanato é muito ampla. Existe um leque enorme de possibilidades para quem decide se dedicar a esse tipo de trabalho.