Após o início da colheita do arroz, a situação do setor orizícola ainda é preocupante. Com o objetivo de evitar um maior impacto no abastecimento do grão no Estado e outras consequências da crise enfrentada, entidades representativas uniram-se no encaminhamento de ofícios ao Ministério da Agricultura.
A Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e a Cooperativa de Cereais de Camaquã pedem, em caráter de urgência, o alongamento de custeio da safra 2025/2026, reforço na fiscalização de importações e recursos para apoio à comercialização.
Entre as medidas solicitadas estão o alongamento das operações de custeio com recibo de depósito, referentes à safra 2025/2026; a intensificação da fiscalização quanto à tipificação do arroz beneficiado comercializado no mercado brasileiro, especialmente os importados; e a recursos para instrumentos de apoio à comercialização no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), especialmente por meio de mecanismos de subvenção como PEP e PEPRO. As três entidades entendem que essas são medidas fundamentais para preservar a sustentabilidade econômica da produção arrozeira.
O governo gaúcho também é cobrado, em outro ofício, por dificuldades tributárias e perda de competitividade do arroz produzido no Rio Grande do Sul, na comparação com Minas Gerais e São Paulo, citados como exemplos.
Colheita na região Sul
De acordo com o último informativo conjuntural emitido nesta semana pela Emater RS-Ascar, no momento, o desenvolvimento das plantas de arroz é considerado normal para esta época, beneficiado pela radiação solar intensa de janeiro e fevereiro de 2026 na Zona Sul.
Foram semeados 171,3 mil hectares de arroz irrigado safra 2025/2026 na região, com arroz semeado em 20 do total de 22 municípios. O cultivo do arroz está predominantemente em fase de granação com 54% das lavouras nesta fase. Depois, 30% em maturação e maduro pronto para colher. Em seguida, outros 10% de lavouras já colhidas, 2% das lavouras na fase de desenvolvimento vegetativo e 3% em florescimento. As colheitas deverão se intensificar neste mês.
Preços
No mesmo informativo, a Emater também confirma que, entre as maiores preocupações dos arrozeiros está o preço pago pelo saco de arroz, que segue com tendência de queda no início da colheita desta safra. Na avaliação do órgão, com os preços que estão sendo praticados no momento, há mais incertezas para o futuro das próximas safras.
Em Pelotas está sendo pago ao produtor R$ 55,20 por saco de 50 quilos, sem o desconto do INSS. Segundo a Emater, as cotações permanecem estáveis com preços praticados nos
municípios em razão da qualidade do produto, rendimento de engenho e do frete.
Os valores pagos aos produtores têm variações em alguns municípios, sendo o arroz comercializado em Santa Vitória do Palmar a R$ 54,24; em Arroio Grande a R$ 58,00; em Jaguarão a R$ 54,00; em Rio Grande a R$ 60,00 e em São Lourenço do Sul a R$ 58,00.
Estimativas da safra
Para a safra de arroz 2025/2026, a produção brasileira é estimada em 10,91 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 14,4% em relação ao ciclo anterior. A área plantada no país deve alcançar 1,56 milhão de hectares, queda de 11,6% na comparação com a safra passada.
No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, a estimativa é de uma produção de 7,54 milhões de toneladas, recuo de 13,6% frente à safra anterior. A área plantada no estado deve somar 905,2 mil hectares, o que representa uma redução de 6,5%.
Carta à sociedade gaúcha
Em nota conjunta, as entidades, junto com o Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Arroz de Pelotas (SindaPel) e o Sindicato da Indústria de Arroz do Rio Grande do Sul (SindArroz), é reforçada importância estratégica do cereal para a garantia da segurança alimentar, além de alertada sobre a perda de competitividade do setor orizícola no mercado brasileiro.
Segundo os representantes, o arroz gaúcho vem perdendo espaço no abastecimento dos principais centros consumidores, por conta de custos logísticos altos e assimetrias tributárias. Entre as soluções, eles pedem a prorrogação do decreto do Governo do Rio Grande do Sul, que concedeu crédito presumido de ICMS de 2% nas vendas destinadas a São Paulo e de 3% para Minas Gerais. Vigente por sete meses, a medida é vista como necessária para a retomada da competitividade, mas valeu por pouco tempo para produzir um efeito significativo.
