Competitividade da região pode aumentar sem pedágios, apontam profissionais

Fim da concessão

Competitividade da região pode aumentar sem pedágios, apontam profissionais

Avaliação de trabalhadores do setor é de que a redução dos custos de transporte impactará no preço final dos produtos

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Atualizado quinta-feira,
05 de Março de 2026 às 18:54

Competitividade da região pode aumentar sem pedágios, apontam profissionais
(Foto: Jô Folha)

O fim das praças de pedágio deverá causar um impacto positivo na economia da Zona Sul do Estado. Essa é a projeção do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Rio Grande (Sinduscam-RG). Conforme o setor, a região deve se tornar mais competitiva com a redução dos custos do transporte.

De acordo com o presidente do Sinduscam, Dieck Sena, sem os custos das praças de pedágio, a expectativa é do aumento de cargas para o Porto de Rio Grande. “Vínhamos perdendo ao longo dos anos para os portos de Santa Catarina, que têm os pedágios mais baratos por quilômetro rodado do que nossa região”, conta.

Como resultado, o custo final dos produtos deve diminuir. O valor do frete não terá alteração, pois é tabelado conforme o piso nacional estabelecido pela lei 11.442 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No entanto, o custo para o embarcador cai sem o pagamento do pedágio. “A redução não é tão grande, mas ela impacta no valor final. Para ir a Porto Alegre, por exemplo, tu deixas de pagar, em média, R$ 500 de pedágio. Isso impacta bastante no preço final”, explica.

Sena considera que a cadeia produtiva deverá girar naturalmente com o aumento da demanda. Um dos principais impactos será a geração de empregos na zona portuária. “Quando aumenta o volume de carga, aumenta a operação e contratação e a mão de obra”, conclui.

Manutenção de vias preocupa

Em contrapartida, a manutenção das vias é uma preocupação do Sinduscam. A qualidade das rodovias reflete no custo da manutenção dos veículos. “Não somos contra as vias serem pedagiadas, mas sim contra o modelo de contrato feito que garante um lucro de até 30%. Em comparação às outras concessionárias, a média é de 10%. Isso impacta bastante no valor cobrado”, diz.

No valor da passagem, a redução deverá ser pequena

As passagens de ônibus intermunicipais devem ter queda pouco significativa com a retirada do custo dos pedágios. O índice das tarifas é feito através de cálculo padrão do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer). Na prática, a redução é baixa, segundo o diretor-presidente da Empresa do Terminal Rodoviário de Pelotas (Eterpel), Afrânio Avila. “No caixa, o percentual é muito pequeno. Na minha opinião, o Daer faz o cálculo de forma arcaica”, critica.

Em nota, o Daer informa que a nova tabela tarifária das linhas onde os pedágios foram desativados foi encaminhada para as empresas concessionárias já sem o valor agregado, o que deverá reduzir o custo imediatamente. A passagem da linha Pelotas x Porto Alegre, por exemplo, deverá ter uma leve redução de R$ 2,40.

Ainda segundo o departamento, a tarifa do pedágio é agregada ao valor da passagem e calculada com base na média de ocupação dos veículos. “Esse valor agregado de pedágio varia de empresa para empresa e é proporcional à ocupação e à frota de cada uma, não sendo o preço cheio para cada passageiro. A redução no valor da passagem varia conforme a modalidade e a quantidade de praças de pedágio da rodovia”, explica a nota.

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