O estudante rio-grandino Weslley Martins Conceição, de 19 anos, conquistou o primeiro lugar na Categoria 2 (6º ao 9º ano) do 19º Concurso Nacional de Literatura Surda, uma das principais competições do país voltadas à produção literária em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A cerimônia de premiação ocorre no dia 10 de abril, em Pelotas.
Aluno do 9º ano da Escola Bilíngue Professora Carmen Regina Teixeira Baldino, Weslley venceu com a obra “A Liberdade que Nasce nas Mãos”, totalmente apresentada em Libras. O concurso é promovido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e desafiou estudantes de todo o Brasil a produzirem vídeos de até três minutos, avaliados por critérios de criatividade, autoria em Libras, identidade surda e coerência narrativa.
Para esta reportagem, a entrevista com Weslley foi intermediada por um intérprete. Ao receber a notícia da vitória, o jovem aponta que foi tomado por uma mistura de sentimentos. “Foi surpresa, alegria e aquela dúvida se era mesmo verdade. No fundo, eu sempre nutri a esperança de chegar ao topo, e ver isso se concretizar me deixou imensamente feliz e entusiasmado”, relata.
A inspiração para a história tem relação direta com sua vivência. O garoto explica que, embora tenha convivido majoritariamente com pessoas ouvintes, é entre pessoas sinalizantes que sente a verdadeira liberdade. “É um alívio poder me expressar plenamente na minha língua”, afirma.
Apesar da conquista na área literária, o estudante já tem planos definidos para o futuro. Ele reconhece que a experiência abriu novas possibilidades, mas revela que seu objetivo profissional é cursar Educação Física e atuar na área.
Desafios e potência da Libras
Professor orientador de Weslley durante o processo de produção do vídeo, Anderson Barbosa destaca que a vitória é motivo de orgulho, mas também evidencia desafios estruturais enfrentados pela escola.
Segundo ele, a instituição ainda não conta com professor de Libras efetivo, o que impacta diretamente na aquisição natural da língua pelos estudantes surdos. “Em alguns momentos atuei como orientador, mas hoje não estou mais na escola. Há professoras contratadas e períodos em que não há professor de Libras, o que depende do governo municipal”, critica.
Ainda assim, o professor acredita que a conquista de Weslley ultrapassa o resultado individual. “Mostra que, trabalhando com muito amor e dedicação, é possível almejar sonhos que parecem distantes. Ele é um dos alunos mais expressivos e com imenso potencial. Que esse prêmio sirva de inspiração para os outros colegas”, conclui.